Israel viola direitos dos presos palestinianos e constrói colonatos em Jerusalém Oriental
Ao mesmo tempo que lança novos ataques na faixa de Gaza, bombardeia o sul do Líbano e ameaça com acções militares o Irão, Israel agrava as condições dos prisioneiros palestinianos e planeia avançar com a construção de novos colonatos em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia.
Número de colonos israelitas na Palestina ocupada cresceu de 415 mil em 2004 para 660 mil em 2019
Israel prolongou as prisões de dois terços dos 520 prisioneiros palestinianos ao abrigo do conceito de «detenção administrativa», que permite mantê-los atrás das grades sem acusações nem julgamentos, violando de forma flagrante os seus direitos.
O Centro Palestiniano de Estudos sobre Prisioneiros, em Ramallah, precisou que as autoridades de Telavive prorrogaram as condenações de dois a seis meses, em média, sem qualquer explicação ou prova, e dificultaram o acesso dos presos aos seus advogados.
As forças de ocupação têm como objectivo manter os patriotas palestinianos encarcerados o maior tempo possível. Os tribunais israelitas realizam sessões judiciais simuladas para aprovar as recomendações dos serviços secretos.
Essas «detenções administrativas», prolongadas arbitrariamente, são uma ferramenta utilizada pelos repressores israelitas com o objectivo de humilhar e torturar os palestinianos, minar a sua moral e destruir a sua vontade. Entre os alvos dos ocupantes figuram activistas, dirigentes políticos, estudantes universitários, académicos e outros intelectuais.
Segundo um relatório divulgado em Julho, as tropas de ocupação prenderam no primeiro semestre de 2021 mais de 5400 palestinianos, incluindo 854 menores e 107 mulheres. Na actualidade, 4850 patriotas, entre os quais 225 menores de idade, permanecem nos cárceres israelitas.
Planos expansionistas
em Jerusalém Oriental
Duas organizações israelitas defensoras dos direitos dos palestinianos denunciaram os novos planos expansionistas do governo de Telavive na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.
O grupo Paz Agora rechaçou a proposta de construção de nove mil habitações no antigo aeroporto de Atarot, em Jerusalém Oriental, numa zona situada entre as localidades palestinianas de Kfar Aqab, Qalandia e A Ram. Se se aprova e constrói Atarot, será a primeira colónia nessa área da cidade desde 1997, quando o então governo de Benjamim Netanayhu edificou o colonato de Har Homa, denuncia na sua página web aquela organização. Este é um plano muito perigoso, porque daria um golpe mortal na solução de dois Estados, já que o colonato está projectado para o coração da continuidade territorial urbana palestiniana, sublinha.
Paz Agora destaca que a iniciativa impede a criação de um futuro Estado palestiniano com essa parte da cidade como sua capital.
As autoridades israelitas impulsionam além disso outros projectos: a ampliação de Har Homa, a construção de outro novo bairro em Givat Hamatos e um terceiro perto da colónia de Maale Adumim, todos no interior ou próximo de Jerusalém Oriental.
Qualquer destes projectos fragmentará a integridade da Jerusalém palestiniana, aumentará os obstáculos existentes para uma capital palestiniana na cidade e porá em causa uma futura solução de dois Estados.
Segundo dados oficiais palestinianos, Israel construiu mais de 31 mil habitações nas 144 colónias localizadas na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental desde 2004 e levantou 139 postos avançados para futuros colonatos.
O número de colonos israelitas na Palestina ocupada cresceu de 415 mil há 17 anos para 660 mil em 2019, apesar da rejeição da construção de colonatos pela comunidade internacional e das resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas.