Dois em genebra
A televisão, e naturalmente não apenas ela, informou-nos de que o norte-americano Biden, presidente norte-americano desde há relativamente pouco tempo, e Putin, presidente russo já com mais longo tempo de exercício, vieram ao centro da Europa para se encontrarem em Genebra, a cidade suíça cujo nome só por si já ganhou ressonâncias que têm a ver com a paz europeia e mundial. Em princípio é uma notícia importante e nem é necessário explicar porquê: é bem sabido que dos Estados Unidos da América e da chamada Federação Russa, do seu relacionamento e do modo como se entendam ou desentendam, depende o futuro imediato ou mediato de milhões, bem se podendo talvez dizer que de cada um de nós. Por isso mesmo não surpreenderá que, peões minúsculos e impotentes que somos num gigantesco tabuleiro de xadrez onde em cada dia se joga o nosso destino sem que o sintamos ou sequer o pressintamos, tenhamos tido natural e legítima curiosidade por saber o que um e outro disseram ou desdisseram. Contudo, não se notou nem só um poucochinho que a televisão ou os outros «media» informativos em que a TV quase sempre se vai abastecer se tivesse esforçado por penetrar o relativo mistério. É pelo menos compreensível que tenhamos sentido a falta dessa diligência.
Legítima defesa
O que talvez seja importante notar é que o encontro de Genebra confirma que o mundo em geral e o binómio EUA-EU continuam vivos e de fundamental importância para o mundo, isto é, de facto para cada um de nós ainda que mais para alguns que para outros. Há, porém, uma outra confirmação, digamos assim: a de que a mobilização da opinião pública em favor da paz continua a ser necessária e de primeiríssima importância. A questão é talvez mais simples do que pode parecer: acontece que em diversos lugares do mundo há quem entenda precisar de uma situação «à beira do abismo» para que o meganegócio das armas e associados tráficos complementares continue a proporcionar grandes e desvairados lucros. Em princípio, encontros como o de Genebra (embora acerca dele tenhamos tido tão exíguas informações que até podemos desconfiar de tamanho fastio informativo) são não apenas saudáveis mas necessários e urgentes. Por todos os lugares e recantos do mundo fala-se muito de guerra e pouco de paz, e esse facto pode tender a constituir-se em conformação com uma suposta inevitabilidade que mais tarde ou mais cedo desabará sobre nós. Ora bem, falemos de paz agora e sempre. Se russos e norte-americanos se encontram em Genebra para «combinarem» a paz, para a defenderem, falemos muito desse encontro, noticiemo-lo nas primeiras páginas da imprensa e na abertura dos telenoticiários. Tentemos prender a paz também pelas palavras que referem e recomendam. Afinal é uma prática de legítima defesa.