Intervir e desenvolver o concelho de Arraiolos
Em Arraiolos, a CDU está a construir um concelho com mais e melhor qualidade de vida. Ao Avante!, Sílvia Pinto, presidente da Câmara Municipal, destacou o trabalho realizado nos últimos anos nas áreas do desporto, da cultura e do desenvolvimento económico e social.
«Temos procurado envolver os jovens na construção do nosso concelho»
Como é ser jovem e autarcano Alentejo?
Iniciei os meus estudos em Arraiolos e frequentei a Universidade de Évora (licenciada em ensino de Biologia e Geologia e mestre em Educação para a Saúde). Depois estagiei em Estremoz. Portanto, manter-me no distrito (de Évora) tem sido, sem dúvida, uma mais-valia para mim. Já leccionei em grandes aglomerados populacionais, mas desejava sempre voltar à minha terra.
Como autarca – Sílvia Pinto é presidente da CM de Arraiolos desde Outubro de 2013; foi vereadora no mandato de 2005/2009 e vice-presidente no mandato de 2009/2013 – tenho tentado proporcionar tudo isto a quem vive no concelho de Arraiolos. Nesse sentido, houve um forte investimento na área do desporto, fomentando a prática desportiva, criando equipamentos com condições, e o acesso à cultura, através da Escola de Música do Município, de projectos na área do teatro e do Tapete de Arraiolos (ver caixa).
Em 2013disseste ao Avante! que a prioridade da CDU para o mandato seguinte seria a «fixação da população». Que balanço fazes destes oito anos?
Muito positivo. No que diz respeito às competências do Poder Local, temos feito o que está ao nosso alcance para promover a fixação da população jovem e não jovem no concelho. Sinal disso é que o loteamento municipal de Arraiolos esgotou há poucos dias. Neste momento, estamos aprocurar novas soluções para que mais pessoas se possam fixar em Arraiolos a preços acessíveis. Felizmente, o que temos assistido é ao regresso de muitas pessoas.
Uma das nossas lutas de sempre foi contra o encerramento das escolas no concelho, nomeadamente do 1.º Ciclo. Hoje, a aldeia do Sabugueiro aumentou o número de alunos, o que vem dar razão ao município. Se a escola (do Pré-Primária ao 1.º Ciclo)tivesse encerrado – como a Direcção Regional de Educação do Alentejo pretendia –muitas famílias não se fixariam no Sabugueiro.
Depois, incentivamos a natalidade, apoiando as mensalidades nas creches, e oferecemos as fichas (1.º Ciclo) e o transporte escolar.
Que consequência teve a extinção de freguesias para o concelho?
Hoje o município é composto por cinco freguesias: Arraiolos, Vimieiro, Igrejinha, União de Freguesias (UF) de Gafanhoeira e Sabugueiro, UF de S. Gregório e Santa Justa, o que significa que foram extintas quatro freguesias, um processo que contestamos e continuamos a reivindicar a sua reversão. Por exemplo, na UF de S. Gregório e Santa Justa a enorme distância entre localidades fez aumentar as despesas. Por outro lado, houve uma redução para metade da participação democrática. Lamentamos que a iniciativa legislativa do PCP (apresentada em Março), que permitia a reposição das freguesias de acordo com a vontade do povo, tenha sido rejeitada por PS, PSD, CDS, PAN, IL e CH. Infelizmente, os partidos que votaram contra não vêem com bons olhos a participação activa de mais pessoas no Poder Local.
Que obras e intervenções destacas?
Nestes últimos quatro anos avançámos em várias frentes. Investimos no desporto, com a construção da pista de atletismo no Estádio Municipal Cunha Rivara, bem como em equipamentos destinados à prática desportiva de diversas outras modalidades; de três campos de padel; de campos de minibasquete, em todo o concelho.
Na área da educação, o município investiu quase 500 mil euros na ampliação da Escola Básica (EB) da Igrejinha e vamos avançar com a recuperação da EB1 de Vimieiro.
No que diz respeito ao desenvolvimento económico, está em curso o alargamento da Zona Industrial do Vimieiro. Concluída está a remodelação do Cine-Teatro de Arraiolos e não foi esquecida a requalificação das redes de água e saneamento, com a consequente requalificação urbana, em várias localidades, mas de uma forma mais intensa no Vimieiro, apenas com o orçamento municipal, sem financiamentos externos, por praticarmos preços mais baixos do que os impostos pelas Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos.
No Sabugueiro estamos a realizar uma obra que vai dar resposta às actividades desenvolvidas no polidesportivo, bem como à parte cultural e económica. A CM também já aprovou a aquisição do Palácio dos Condes do Vimieiro (no valor de 116 mil euros) para avançar com um projecto que envolve as filarmónicas, com um espaço museológico, de formação e de espectáculos.
Em Arraiolos, estamos também a construir uma Casa Mortuária, a regenerar o Campo de Feiras e a recuperar o Mercado Municipal.
Qual a principal dificuldade encontrada?
Foi a questão da epidemia. Ninguém estava preparado para isto. Demos um grande apoio às IPSS, face à falta de apoios do Estado e da Segurança Social. Simultaneamente, criámos linhas de apoio à população, sempre em articulação com o comércio local.
O que falta fazer no concelho que é da responsabilidade do Poder Central?
Falta muita coisa. Em primeiro lugar temos a transferência de competências para a autarquia, apesar de não as querermos. Avizinham-se tempos difíceis e complicados, por se estar a pôr em causa a universalidade da educação e da saúde. Também a acção social não deveria passar para o Poder Local.
Entretanto, estas competências vêm sem os devidos meios a acompanhá-las. Na área da saúde, por exemplo, querem que o município fique com a responsabilidade de três viaturas (manutenção, combustíveis, seguros, etc.) por pouco mais de dois mil euros por ano, o que é bastante abaixo dos custos. Para fazer a gestão dos postos de saúde querem transferir 90 euros, o que é impossível.O Castelo de Arraiolos, um equipamento que precisa de constante intervenção e manutenção, vem acompanhado de zero euros.
Basicamente é uma transferência de problemas e as populações não se estão a aperceber do que está a acontecer.
Qual a razão de ainda não ter sido criado o Centro para a Promoção e Valorização do Tapete de Arraiolos?
Recordo que em 2016, por iniciativa do PCP, foi aprovado por unanimidade na Assembleia da República o projecto para a instalação e funcionamento de um Centro de Certificação de Tapetes, uma reivindicaçãoantiquíssima, que vários e sucessivos governos têm tido em mãos e não a resolvem.
Mas porquê?
Na nossa opinião são interesses económicos externos que estão aqui em causa. Este Centro tem como objectivo a certificação do Tapete de Arraiolos, um produto muito importante para o concelho e o País.
Qual a posição da autarquia em relação às culturas superintensivas?
Neste momento, temos um olival super-intensivo na Igrejinha. Já desenvolvemos várias acções, mas, infelizmente, plantar um olival superintensivo é como semear um batatal, não carece de qualquer licenciamento municipal. Chamámos, de imediato, a atenção de várias entidades, tendo em conta que se estava a fazer desvio de linhas de água e que havia alguns postes sem suporte.
Alertámos, igualmente, para a questão de o olival ficar junto de um furo que a CM usa para o abastecimento público de água. Essa é uma questão que nos preocupa bastante, a dos produtos químicos que podem atingir o lençol freático, nomeadamente da localidade de Igrejinha.
Que projectos têm manifestado interesse no concelho?
Temos sido muito procurados por parte de empresas de painéis fotovoltaicos, para produzir electricidade.
Que outros projectos tem a autarquia para os próximos quatro anos?
Avançámos com uma zona de lazer junto à Barragem do Divor, com a EB 1 do Vimieiro e o Mercado Municipal, obras que se estão a iniciar e que vão entrar no próximo mandato, assim como a regeneração do Vimieiro e uma intervenção na Igrejinha.
Trabalhamos a curto, médio e longo prazo, sempre com o objectivo de construir um concelho dinâmico, activo, sempre a evoluir, de forma a proporcionar as melhores condições de vida à população.
Que papel pode ter o sector do turismo neste caminho de desenvolvimento?
Entrou em funcionamento um mupi digital interactivo com informações úteis do município (notícias e eventos). Esta ferramenta apresenta ainda uma recriação histórica em 3D da Praça do Município desde o século XIII até aos dias de hoje.
Correspondendo às crescentes necessidades das smart cities, foi também criado um banco inteligente, com várias funcionalidades, como sistema de carregamento USB e internet Wi-Fi. Criámos igualmente flyers para os turistas e estamos a conceber percursos pedestres em todas as localidades do concelho. Em São Pedro Gafanhoeira vamos construir um passadiço junto à Ribeira de Vide.
Com a CDU, como estará Arraiolos daqui a quatro anos?
Vejo o concelho com boas perspectivas de desenvolvimento. O trabalho que vem dos mandatos anteriores é bom e dá resposta ao que o concelho necessita. Por isso, daqui a quatro anos já teremos outras respostas implementadas e continuaremos a trabalhar para pensar o futuro do concelho.
O Tapete regressou à rua
De 8 a 13 de Junho, Arraiolos acolheu a iniciativa «O Tapete está na rua 2021», certame que pretende salvaguardar e divulgar a qualidade e diversidade da identidade arraiolense e alentejana, valorizando o Tapete de Arraiolos, a gastronomia e outros produtos locais.
Promovida pela CM de Arraiolos, a iniciativa teve como objectivo contribuir para a retoma da economia local. «Apesar do contexto da epidemia por COVID-19, quisemos dar alguma dinâmica ao comércio local e trazer pessoas ao concelho», destacou Sílvia Pinto.
A autarca falou ainda do forte investimento que o município tem feito no Centro Interpretativo do Tapete de Arraiolos, espaço museológico permanente e ao serviço da comunidade, que tem como missão promover o estudo e a divulgação do Tapete de Arraiolos, assim como a sua conservação, protecção, valorização e reconhecimento enquanto património histórico, artístico e etnográfico, tanto na sua vertente material como imaterial.
No dia 8 de Junho,foi publicado em Diário da República a Consulta Pública para efeitos de inscrição do «Processo de confecção do Tapete de Arraiolos» no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.
Entretanto, os Paços do Concelho acolheram, de 8 a 13 de Junho, a exposição «Desenho e pintura de José Bizarro. Breve antologia dos últimos 50 anos».