A proximidade ao povo de Avis é o segredo da confiança na CDU
A cumprir o segundo mandato como presidente da Câmara Municipal de Avis (CMA), Nuno Silva sublinha a marca distintiva da CDU na gestão da autarquia, evidencia entusiasmo em prosseguir a obra em curso e garante que o futuro é de luta para que o município receba os investimentos que há muito reclama.
Vamos continuar a batalhar. Não ficamos sentados a lamentar que nada acontece!
Estás a terminar o segundo mandato à frente de uma autarquia cuja gestão CDU tem merecido sempre a confiança da população. Qual é o segredo da longevidade do projecto?
Trabalhamos directamente com as pessoas e, sobretudo, trabalhamos para elas. Cumprimos tudo aquilo com que nos comprometemos e em muitos aspectos fomos além disso. Estamos cá para servir o povo, não para nos servirmos. Não falamos com os munícipes de quatro em quatro anos, mas todos os dias.
Aliás, isso ficou particularmente evidente no contexto epidémico, quando fizemos recolha de lixo porta-a-porta para que as pessoas se expusessem o mínimo possível ao risco, levámos alimentação a todos os mais vulneráveis. Além do mais, desinfectámos periodicamente todos os espaços públicos, adquirimos e garantimos a aplicação de mais de dois mil testes rápidos, enfim, tudo o que pudemos, fizemos para mitigar o contágio por COVID-19.
Portanto, o segredo é, de facto, o trabalho, a honestidade e a competência aliados à proximidade, à determinação em responder sempre e prioritariamente às aspirações da população. Podemos não fazer aquela obra que dá mais nas vistas, mas fazemos tudo o que é necessário para viver e trabalhar com qualidade em Avis, para termos um concelho desenvolvido, solidário e acolhedor.
Mas a CDU tem obra para mostrar e projectos em curso...
Desde logo os serviços municipais, que passaram a estar concentrados, facilitando a vida aos munícipes, dando condições de trabalho dignas aos trabalhadores da autarquia e acrescentando eficiência na execução.
Isso denota a importância que a CM de Avis dá também aos seus trabalhadores?
São um exército sem farda, prontos para todos os momentos, e, por isso, sempre que podemos e está no âmbito das nossas competências, não hesitamos em valorizar os nossos trabalhadores, como no caso do suplemento de insalubridade e penosidade recuperado recentemente, que aplicámos de imediato a todos os abrangidos e com retroactivos a Janeiro. É de elementar justiça ainda mais sabendo que muitos funcionários, infelizmente, trabalham na Administração Pública com salários baixíssimos.
Temos uma invejável capacidade operacional, quer ao nível de pessoal qualificado em diversos domínios, quer ao nível de máquinas e equipamentos, o que nos dá uma autonomia e uma capacidade de execução notáveis para as intervenções que entendemos fazer.
Mas ias falar das obras realizadas e dos projectos em curso…
O novo quartel da GNR está a avançar depois de termos resolvido o problema do alojamento, quando a corporação foi desalojada. Depois estão acabados, em execução ou adjudicados o centro geriátrico de Alcórrego, fazendo com que tenhamos este tipo de equipamento em todas as freguesias, a casa mortuária de Avis, a requalificação de todos os parques infantis, das piscinas municipais e da ponte de Ervedel, a construção do centro de recolha animal, a fase final da via pedonal até ao Clube Náutico, a empreitada para a pavimentação de boa parte das vias de comunicação do concelho, num valor total de 750 mil euros.
Referias há pouco que o trabalho da CM de Avis vai além de construir e requalificar equipamentos e espaços, centrando-se muito na proximidade e nas pessoas. Em que é que se traduziu isso?
Em áreas fundamentais como a Educação e a Cultura, por exemplo. Temos uma rede de bibliotecas, entre as quais a nova Biblioteca José Saramago, e muito orgulho no trabalho das nossas ludotecas,espaços onde as crianças, com o acompanhamento de técnicos, podem desenvolver capacidades e aprender.
Fornecemos refeições escolares gratuitas do pré-escolar ao 1.º ciclo e asseguramos o transporte escolar. Recentemente investimos cerca de meio milhão de euros na frota, com a aquisição de carrinhas de nove lugares, dois minibus e o tão desejado autocarro de 55 lugares com plataforma para transporte de passageiros com mobilidade reduzida. Assim nenhuma criança, adulto ou sénior deixa de integrar um passeio envolvido no grupo em todos os momentos.
Depois, damos a melhor atenção à juventude com Avis Mais e o Jovens em Movimento, à terceira idade, proporcionando-lhes programas destinados a promover a actividade física e o lazer, a troca e partilha de experiências; temos uma Casa das Artes de excelência e lá funciona uma escola de música que nos orgulha, com um corpo de funcionários todo de Avis, ensino de vários instrumentos e coro e alunos dos quatro aos 80 anos; apoiamos o teatro, o desporto, as colectividades e clubes.
Neste mandato vale a pena destacar no âmbito destes apoios o prestado na área da Protecção Civil. Entre equipamentos de protecção individual, viaturas de transporte de doentes, ambulâncias de socorro e, brevemente, um veículo de combate a incêndios florestais, já investimos mais de 630 mil euros.
Muito desse trabalho coloca a questão das competências dos municípios e da Administração Central, permanecendo uma relação desigual entre ambos, não é verdade?
Sim, por isso não aceitámos a delegação de competências conforme pretendia o Governo, pois consideramos que se trata de empurrar para as autarquias os problemas e existe o perigo de aprofundar as desigualdades e assimetrias em áreas fundamentais como o Ensino ou a Saúde, que devem ser universais e equitativas em todo o território.
Ao nível da Saúde persistem graves carências em Avis. Fruto da batalha que travámos ao lado da população, conseguimos a reabertura da extensão de Saúde de Valongo e o compromisso, por parte da Unidade de Saúde do Norte Alentejano, da construção de raiz da nova extensão de Saúde de Benavila. No entanto, precisamos de mais médicos, enfermeiros, técnicos e administrativos, como precisamos que reabra o posto de saúde de Alcórrego e que o Centro de Saúde de Avis funcione como unidade de retaguarda com camas e várias valências.
Um concelho a cerca de 70 quilómetros de Portalegre ou de Évora, a população tem de ir a consultas àquelas cidades, a Elvas, a Abrantes ou até a Lisboa.
Por falar nisso, os transportes são insuficientes: três carreiras por semana para Lisboa. Quem tem uma consulta em Portalegre, por exemplo, tem de ir num dia e voltar no outro.
A CDU tem então uma vincada postura reivindicativa face à Administração Central?
Claro. Foi assim que conseguimos que fosse instalada uma secção de proximidade do tribunal em Avis. Nós assumimos integralmente a requalificação e equipámos o espaço. O Ministério da Justiça teve, por isso, de cumprir com a promessa do funcionamento local, assegurando audiências e julgamentos.
Mas faltam muitos e cruciais investimentos. O mais importante é o centro escolar. Há anos que os governos prometem uma nova escola. O projecto está a nosso cargo e já realizado, num investimento de 150 mil euros. Falta o Governo financiar a obra que, esperamos, para breve, antes que venham de novo a Avis prometê-la.
Por outro lado, não vamos desistir da ligação entre a A6 e a A23. Não exigimos uma auto-estrada. Nada disso. É um investimento pequeno face aos benefícios económicos que traria. Temos uma zona industrial infra-estrutrada e uma localização privilegiada. Podemos ter mais empresas se a ligação entre a A6 e a A23 for concretizada e a reconfiguração de algumas vias e acessos for feita.
Vamos continuar a batalhar, não ficamos sentados a lamentar que nada acontece!
Avis é única
Como é que um concelho que sofre as consequências de uma política que agrava a interioridade se projecta, afirma e progride?
Com trabalho e aproveitando as potencialidades. Procuramos afirmar Avis pelo que nos diferencia. Podia falar da gastronomia, do património arqueológico, cultural e histórico, onde sobressai o Centro Interpretativo da Ordem de Avis, das festas em seu torno e da projecção de D. João I. Mas saliento a albufeira do Maranhão, a praia fluvial, o parque de campismo e o Centro Náutico. Temos um espelho de água único: para prática de pesca desportiva, canoagem, windsurf e, sobretudo, remo. Aliás, é aqui em Avis que treinam os campeões mundiais de remo. As medalhas olímpicas e outros triunfos na modalidade são preparados aqui. Os atletas consideram que têm condições ímpares no nosso concelho.
Temos ainda trilhos de BTT únicos, assim considerados inclusivamente pela União Ciclista Internacional, o que nos enche de satisfação pelo que temos vindo a proporcionar e pelo justo reconhecimento.
Bandeira Verde não é para todos
Como é que Avis alcança um galardão como a Bandeira Verde para a sustentabilidade ambiental?
É o culminar de todo o trabalho que temos vindo a fazer ao longo dos anos na protecção dos ecossitemas e zonas envolventes, desde logo junto à albufeira do Maranhão, onde destacamos a criação da estação náutica de Avis, uma das 15 certificadas pelo Fórum Oceano com o objectivo de dinamizar o turismo náutico, mediante o estabelecimento de parcerias locais. Mas igualmente no que toca à recolha e tratamento dos lixos ou na educação para o ambiente.
São várias as vertentes e muitos os critérios de avaliação rigorosos a cumprir para ser atribuída a Bandeira Verde. Nós cumprimos e queremos manter.