Novos ataques da UE com resposta de luta
No momento da realização no Porto da «Cimeira Social» e da «Cimeira Informal de Chefes de Estado e de Governo» da União Europeia, «é fundamental os trabalhadores portugueses trazerem para a rua, mais uma vez, as suas reivindicações, as suas justas aspirações, quer quanto à política praticada no nosso País, quer quanto à política da União Europeia».
O apelo, que já tinha sido feito no 1.º de Maio, foi anteontem renovado pela CGTP-IN. Em conferência de imprensa, a Secretária-geral, Isabel Camarinha (acompanhada por João Barreiros, da Comissão Executiva do Conselho Nacional e responsável pelo Departamento de Relações Internacionais), salientou a importância da «grande manifestação» convocada para este sábado, às 15 horas, na Praça do Marquês.
«Os trabalhadores vão rejeitar mais uma ofensiva contra os seus direitos» e vai ser expressada «a nossa solidariedade com todos os trabalhadores e povos da Europa e com as lutas que estão a travar no sentido do progresso e da justiça social». «Esta manifestação será também um contributo para uma Europa dos trabalhadores e dos povos, pela qual lutamos», acrescentou.
Na tarde de dia 4, Isabel Camarinha recordou que «a situação no País – com a destruição do aparelho produtivo, a entrega de empresas e sectores estratégicos aos grandes grupos económicos, o desinvestimento nos serviços públicos, o ataque aos direitos, a acentuação das desigualdades e o agravamento da situação económica, social e laboral – é fruto de opções de sucessivos governos, de décadas de políticas de direita e de submissão às imposições da União Europeia».
O «livro verde do futuro do trabalho» foi apresentado pelo Governo do PS, com «supostas preocupações sociais», mas «não resolve, antes acentua, a precariedade, a duração e desregulação dos horários de trabalho, o modelo de baixos salários», «mantém a caducidade da contratação colectiva e, em linha com o “pilar europeu dos direitos sociais”, mantém um conjunto de constrangimentos que a UE coloca, ligados ao euro, às imposições do “semestre europeu”, ao défice e à ditadura do défice, e ao “pacto de estabilidade” – linhas bem patentes no “plano de estabilidade” que o Governo enviou para Bruxelas».
Ora, sublinhou a dirigente, «para a CGTP-IN, é fundamental que se rompa com esta política e isso obriga à intensificação das lutas dos trabalhadores e à sua convergência a exigir uma política de esquerda e soberana».
A Intersindical Nacional entende que «o futuro do trabalho exige uma política que garanta que o desenvolvimento tecnológico é colocado ao serviço dos trabalhadores e que serve para criar emprego seguro, com direitos e de qualidade, para aumentar os salários e para reduzir horários e ritmos de trabalho, ao invés do que tem acontecido».