Para que nunca mais volte a acontecer

Manuel Rodrigues

É necessário reforçar a luta pela paz e pela democracia

Assinala-se no próximo domingo a Vitória sobre o nazi-fascismo. 76 anos volvidos, importa voltar a esse marcante acontecimento da História mundial, cujo impacto e históricos avanços libertadores que possibilitou, ainda hoje se fazem sentir (indissociáveis da Revolução de Outubro e das suas realizações). Há que ter presente as causas que levaram ao ascenso do nazi-fascismo e ao desencadear da Segunda Guerra Mundial e daí retirar ensinamentos para a luta que prossegue pela emancipação social e nacional dos trabalhadores e dos povos.

Em primeiro lugar, é preciso referir a profunda crise económica que o capitalismo vivia, o exacerbar das contradições, o militarismo e a guerra, as rivalidades e a concertação entre potências imperialistas, a subversão do direito internacional e a violação das soberanias, as ingerências permanentes e as violentas formas de terrorismo de Estado que o grande capital fomentava e apoiava. Em boa verdade, o ascenso do fascismo constituiu a resposta das classes dominantes à crise do capitalismo, foi o seu instrumento de terror contra a luta organizada do movimento operário, dos trabalhadores e dos povos. A liquidação da União Soviética e do socialismo contavam-se entre os seus principais objectivos.

Convém lembrar, em segundo lugar, que o nazi-fascismo nasceu, cresceu e desenvolveu-se contando com a conivência, os compromissos e os acordos da grande burguesia e das chamadas democracias ocidentais (particularmente o Reino Unido e a França), que facilitaram o avanço do fascismo e o desencadear da guerra.

Em terceiro lugar, impõe-se destacar o contributo decisivo da União Soviética, do seu povo, do seu Exército Vermelho, do seu Partido Comunista (com o elevado custo de mais de 20 milhões de vidas), quer na resistência à agressão e à ocupação quer para a viragem na Segunda Guerra Mundial, obrigando à abertura da frente ocidental, fazendo confluir os esforços das forças aliadas com a resistência popular e anti-fascista na caminhada para a Vitória, que se viria a concretizar a 9 de Maio de 1945, com a libertação de Berlim pelo Exército Vermelho.

Sem deixar de enaltecer a organização, a coragem e heroísmo da Resistência e o papel dos comunistas que em tantos outros países se levantaram contra a besta nazi-fascista.

 

Pela verdade histórica!

Sobre este acontecimento e o seu significado continua em curso um amplo e sofisticado processo de revisão da História por parte do imperialismo, como elemento da luta ideológica indissociável da sua política de exploração, opressão e guerra: desenvolve esforços e investe meios colossais para branquear e reabilitar o nazi-fascismo, promover um pouco por todo o mundo (e também em Portugal) forças de extrema-direita e fascistas e para denegrir as experiências de construção do socialismo, particularmente a URSS, com o intuito de criminalizar, proibir e perseguir a ideologia, os símbolos, o ideal, o projecto, a militância comunistas.

Em Portugal, o regime fascista de Salazar, exibindo uma falsa «neutralidade», foi um efectivo apoiante do esforço de guerra de Hitler, enquanto o povo português lutava contra a fome e enfrentava a brutal repressão. Mas também aqui, com o papel e acção determinante do PCP, se desenvolveu a luta antifascista.

Por isso, ao comemorarmos o Centenário do PCP e o 47.º aniversário do 25 de Abril, é bom lembrar, particularmente às jovens gerações, o valor da luta da União Soviética, dos comunistas e de outros antifascistas na conquista da Vitória sobre o nazi-fascismo, assim como da luta dos trabalhadores e do povo português, e a insubstituível  acção do PCP, na resistência ao fascismo e na luta para que Abril acontecesse.

 

Reforçar a luta pela paz

Face à actual ofensiva agressiva do imperialismo e ao que esta encerra – ameaças, ingerências, bloqueios económicos, desestabilização, invasões, actos de agressão e guerra, corrida desenfreada aos armamentos –, a Vitória sobre o nazi-fascismo alerta-nos para a necessidade de reforçar a luta pela paz, pelos direitos, liberdades e garantias fundamentais, pela democracia, a soberania e a independência nacional, pelo progresso social. E, ao mesmo tempo, projectar a confiança, os ensinamentos e experiências de luta para que nunca mais volte a acontecer tal barbárie e se possa construir um mundo mais justo, pacífico e solidário onde os trabalhadores e os povos possam decidir livremente dos seus destinos.




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