Isto anda tudo ligado

António Rodrigues

Todos os pretextos e justificações servem para protagonizar as mais diversas campanhas contra a Constituição da República, a democracia e a liberdade, em favor do branqueamento do fascismo.

O PCP foi vítima do terrorismo da direita e da extrema-direita

Desta vez, o tema são as Forças Populares 25 de Abril (FP25), uma organização que, usurpando o nome emblemático da Revolução dos Cravos, nada tem a ver com o 25 de Abril nem a sua acção beneficiou os trabalhadores e a sua luta.

Trata-se de mais uma manobra, desencadeada a propósito da criação das FP25 (Abril de 1980) e dos 25 anos da aprovação na Assembleia da República de uma lei de amnistia que, excluindo os chamados crimes de sangue, abrangeu alguns dos seus membros. Uma tentativa de procurar, por um lado, ligar estes actos terroristas à luta dos trabalhadores e às forças políticas e sociais mais consequentes e, por outro, apresentá-los como se fossem as únicas acções desta natureza praticadas pós 25 de Abril.

O PCP sempre se distanciou e condenou as acções terroristas, mesmo a partir de meados da década de 60, quando sectores da oposição ao salazarismo começaram a pôr em causa a utilidade da acção política e da luta de massas e definiam como objectivo a execução de acções de guerrilha e terrorismo. Aliás, na luta contra o fascismo, as acções violentas promovidas pela Acção Revolucionária Armada (ARA) contra o aparelho de Estado fascista e a sua máquina militar de guerra colonial tiveram sempre como foco evitar ao máximo a perda de vidas humanas alheias e, naturalmente, da própria organização.

Quanto às acções das FP25, independentemente do alarmismo gerado pela campanha de calúnias e falsificações movida à época contra os comunistas e o movimento operário por órgãos de informação dominados pelo PSD e CDS, o PCP sempre condenou os actos de banditismo e terrorismo promovidos por aquela organização. Mais, o PCP, nomeadamente através de notas de imprensa divulgadas em Abril e Maio de 1980, exigiu que «tais iniciativas provocatórias» fossem julgadas não pela sua linguagem, nem pelas siglas com que se apresentavam e objectivos que proclamavam, mas pela «manifesta inserção de tais actos e projectos no quadro da estratégia golpista e subversiva da reacção».

Não há terrorismo de esquerda, mas tão só terrorismo. As forças políticas mais consequentes desenvolvem acções revolucionárias e não qualquer forma de terrorismo.

O PCP contribuiu em 1996 para a aprovação de uma amnistia aos implicados nas FP25, inserida no encerramento do processo, com a legitimidade de quem sempre condenou energicamente o recurso ao terrorismo como forma de luta política e sempre reprovou as actividades daquela organização pseudo-revolucionária.

Tolhida por uma deliberada amnésia, a direita reaccionária e populista esquece que foi precisamente o governo de Cavaco Silva, em 1989, quem premiou a actividade de uma organização terrorista como a PIDE/DGS atribuindo pensões «por serviços excepcionais e relevantes» a dois dos seus ex-agentes, ao mesmo tempo que recusou conceder a mesma pensão a Salgueiro Maia.

Mas, sobretudo, esquece a violência e a acção terrorista de organizações como os chamados Exército de Libertação de Portugal (ELP) e o Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP), apoiadas por forças da direita e da extrema-direita, envolvendo compromissos e cumplicidades políticas e partidárias que até hoje não foram confessadas. O próprio Alpoim Galvão, no seu livro De Conakry ao MDLP, confirma a tese da organização terrorista: «Nascido em Chaves, identificado com os sentimentos dos nortenhos, liguei-me natural e francamente, aos habitantes da região. Dentro do MDLP, as minhas funções eram, essencialmente, de chefia operacional. Por isso me liguei, fraternalmente, com os núcleos de resistência.»

Acções que se desenvolveram impunemente, apoiadas numa intensa campanha política contra as conquistas do 25 de Abril que a Constituição, aprovada há 45 anos, acabaria por consagrar. Acções que, particularmente no Verão de 1975, se tornaram no pão nosso de cada dia, atingindo particularmente o PCP com perseguições, assassinatos, incêndios e pilhagens dos seus Centros de Trabalho, mas que abrangeram também sindicatos e diversas personalidades e militantes antifascistas. Aliás, passam agora 45 anos (1976) sobre dois desses actos terroristas: o ataque bombista que destruiu as instalações da Embaixada de Cuba em Lisboa, matando dois diplomatas cubanos (dia 22 de Abril), e o atentado terrorista contra o Centro de Trabalho Vitória do PCP, causando um morto, cinco feridos e avultadíssimos prejuízos materiais (1 de Maio).

A mesma direita reaccionária e populista que pretende instalar em Santa Comba Dão um local de romaria em memória de Salazar para os saudosistas da ditadura. Mas também para os novos apoiantes de uma extrema-direita que procura reagrupar-se em torno de novas e messiânicas lideranças na expectativa do assalto castelo da democracia que a nossa Constituição ainda hoje representa, perseguindo o objectivo da reconfiguração do Estado ao serviço dos interesses do grande capital nacional e estrangeiro.

Como se vê, isto anda tudo ligado!




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