Solidariedade sim! Ingerência não!

Pedro Guerreiro

A agressão a Mo­çam­bique é fo­men­tada a partir do ex­te­rior

Mo­çam­bique e o seu povo estão a ser ví­timas de uma acção de agressão, que tem vindo a ser in­cre­men­tada no Nor­deste do país. Uma agressão que está a ser fo­men­tada desde o ex­te­rior, que es­conde in­te­resses obs­curos, pro­ta­go­ni­zada por grupos ar­mados, res­pon­sá­veis por uma bár­bara e cruel acção ter­ro­rista.

Esta agressão, os seus res­pon­sá­veis, os seus he­di­ondos crimes, exigem a mais con­tun­dente de­núncia e con­de­nação. Ao mesmo tempo, devem ser apoi­ados os es­forços que o go­verno mo­çam­bi­cano tem vindo a de­sen­volver para ga­rantir a pro­tecção e a se­gu­rança das po­pu­la­ções atin­gidas e as­se­gurar a res­posta às suas ne­ces­si­dades mais ime­di­atas.

O go­verno mo­çam­bi­cano tem de­sen­vol­vido di­versas ini­ci­a­tivas no sen­tido de as­se­gurar o ne­ces­sário apoio às suas Forças de De­fesa e Se­gu­rança, à ajuda de ca­rácter hu­ma­ni­tário, à ajuda ao de­sen­vol­vi­mento, pro­mo­vendo a ca­pa­ci­dade pro­du­tiva do país, me­lho­rando as con­di­ções de vida do povo. É ina­cei­tável uma qual­quer ten­ta­tiva que vise res­pon­sa­bi­lizar os que com­batem estes grupos ar­mados pelas con­sequên­cias da acção ter­ro­rista le­vada a cabo por estes contra as po­pu­la­ções, pro­cu­rando co­locar no mesmo plano o agre­dido e o agressor. Ten­ta­tivas que ins­tru­men­ta­lizam a de­ses­ta­bi­li­zação criada pelos grupos ar­mados para pro­mover con­cep­ções ne­o­co­lo­niais e o des­res­peito pela so­be­rania e a in­de­pen­dência de Mo­çam­bique.

As ne­ces­sá­rias ini­ci­a­tivas de so­li­da­ri­e­dade para com Mo­çam­bique não devem ser con­fun­didas com de­no­mi­nadas «ajudas» que, es­con­dendo o ob­jec­tivo do con­trolo e apro­pri­ação de im­por­tantes re­cursos na­tu­rais que o Es­tado mo­çam­bi­cano pro­cura co­locar ao ser­viço do de­sen­vol­vi­mento eco­nó­mico e so­cial do país, visam abrir ca­minho à in­ter­venção ex­terna.

Na ver­dade, a acção ter­ro­rista de grupos ar­mados tem sido uti­li­zada como pre­texto para «jus­ti­ficar» e «le­gi­timar» a in­ter­venção e a ins­ta­lação de forças mi­li­tares es­tran­geiras em di­versos países, no­me­a­da­mente no con­ti­nente afri­cano – forças mi­li­tares que pro­curam per­pe­tuar a sua pre­sença, tendo em vista as­se­gurar a ex­plo­ração de im­por­tantes re­cursos na­tu­rais.

Cons­ti­tuem um im­por­tante alerta as de­cla­ra­ções de res­pon­sá­veis mo­çam­bi­canos que su­bli­nham que não foi pela in­ter­venção de tropas es­tran­geiras em di­versos países que a acção ter­ro­rista de grupos ar­mados ou a guerra ter­minou. Na re­a­li­dade, o in­ter­ven­ci­o­nismo ex­terno em di­versos países pro­moveu a eter­ni­zação da guerra, o des­res­peito da so­be­rania e da in­te­gri­dade ter­ri­to­rial de Es­tados, o saque dos seus re­cursos, a im­po­sição de tu­telas neo-co­lo­niais, a ins­ta­lação per­ma­nente de bases mi­li­tares es­tran­geiras.

A si­tu­ação é com­plexa e muito exi­gente, no en­tanto, o povo mo­çam­bi­cano, di­ri­gido pela FRE­LIMO, venceu já enormes de­sa­fios, tendo con­quis­tado a in­de­pen­dência na­ci­onal, e en­fren­tado pos­te­ri­or­mente a agressão da RE­NAMO, e con­ti­nu­ando a lutar pela con­quista da paz, em de­fesa da so­be­rania e da in­de­pen­dência na­ci­onal, por um ca­minho de de­sen­vol­vi­mento e de pro­gresso so­cial. Tal como no pas­sado, é fun­da­men­tal­mente nas suas mãos, na sua de­ter­mi­nação e uni­dade, que re­side a su­pe­ração deste novo obs­tá­culo que co­lo­caram no seu ca­minho.




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