100 anos de luta a transformar a vida e a construir futuro
FUTURO As comemorações do Centenário do PCP, que tiveram um momento alto no sábado, 6, revelaram um colectivo determinado em prosseguir no presente e no futuro um percurso invejável de luta pela emancipação dos trabalhadores e dos povos.
A militância e combatividade dos comunistas ergueram umas comemorações extraordinárias
«O futuro não acontece, constrói-se e conquista-se.» A afirmação de Jerónimo de Sousa, proferida no sábado quase no final da sua intervenção na magnífica jornada do Rossio, em Lisboa, resume toda a semana de comemorações e, de certo modo, também os 100 anos do PCP.
Foi, de facto, com imensa alegria e orgulho que os comunistas e outros democratas comemoraram os 100 anos de luta do Partido Comunista Português.
A acção organizada, consequente e empenhada dos comunistas e seus amigos levaram muito longe a afirmação do Partido e do seu projecto de liberdade, democracia e socialismo.
Se, na sexta-feira, o País acordou tingido de vermelho, com bandeiras do PCP hasteadas nas principais praças, avenidas e ruas do País, é porque houve quem tivesse passado a noite inteira a colocá-las. Se foi possível contactar milhares e milhares de trabalhadores de 500 empresas ao longo da semana, é porque foram muitos os militantes que lá estiveram a contactar, a conversar, a esclarecer, a mobilizar. Se a edição especial do Avante!, evocativa do Centenário, multiplicou tiragens e vendas, tal se deve à determinação dos que, pelo País, o distribuíram e divulgaram.
A história do PCP é feita disto mesmo. Da capacidade de, organizada e colectivamente, realizar o que à partida pareceria impossível. Da tenacidade de recomeçar vezes sem conta, aprendendo com a experiência e corrigindo o que tiver de ser corrigido. Da determinação de não dar nenhuma luta por perdida antes de a travar.
Disto deram provas ao longo de décadas os heróis caídos na luta, que o PCP homenageou no passado dia 2.
O Rossio
e muito mais
A semana de comemorações culminou no sábado, 6, com mais de 120 acções realizadas simultaneamente em mais de uma centena de concelhos (de que mostramos algumas imagens), que constituíram autênticas jornadas de luta pelos direitos dos trabalhadores e do povo. No total, envolveram muitos milhares de comunistas em todo o País e alcançaram uma grande projecção pública.
O acto central realizou-se na Praça do Rossio, em Lisboa, onde interveio o Secretário-geral do Partido, Jerónimo de Sousa (ver intervenção nas páginas seguintes). Antes, uma centena de jovens comunistas percorreu as ruas da Baixa de Lisboa, visitando locais marcantes do percurso do PCP e da história nacional do último século, numa vibrante confirmação de que – para quem tivesse ainda dúvidas – o Futuro tem Partido.
Em seguida, os músicos Alexandre Branco, Catarina Moura, Luís Pedro Madeira e Manuel Pires da Rocha (Rui Alves também deu um ajuda, a dada altura) destacaram temas do cancioneiro popular e revolucionário português, com destaque para o Hino de Caxias, escrito pelos presos políticos dessa cadeia, e lembraram os intelectuais e artistas que ao longo de 100 anos se juntaram à luta do Partido.
Esta parte da iniciativa foi apresentada por Raquel Bulha.
No presente
a olhar em frente
Margarida Botelho, do Secretariado do Comité Central, testemunhou com as centenas de militantes e simpatizantes do Partido que tingiam de vermelho o Rossio (ele próprio «emoldurado» por bandeiras do PCP) o que naquele momento se passava em todo o País: a mobilização, a afirmaçao do ideal e do projecto do Partido. Agradecendo a presença solidária dos aliados do Partido Ecologista «Os Verdes» e da Associação Intervenção Democrática (ID), lembrou as gerações de comunistas que construíram o Partido e o trouxeram até aqui e a sempre renovada determinação de olhar em frente.
Cláudia Varandas, da da Comissão Política da Direcção Nacional da JCP e do Comité Central do Partido, recordou a presença decisiva dos jovens ao longo dos 100 anos do PCP – o partido que, garantiu, «a juventude sempre soube ser seu» – e destacou as «1000 lutas» que hoje travam no caminho de Abril.
As comemorações do Centenário constituíram, em si mesmas, um momento exaltante da história do PCP, que com um heróico passado atrás de si continua a ter muito mais projecto do que memória.
E às 15h00 em ponto...
No sábado, no exacto dia em que se cumpriam 100 anos desde a fundação do PCP, à mesma hora em mais de uma centena de localidades do País, ouviu-se A Internacional, hino do aniversariante e da luta dos explorados pela democracia e o socialismo.
De pé, ó vítimas da fome!
De pé, famélicos da terra!
Da ideia a chama já consome
A crosta bruta que a soterra
Cortai o mal bem pelo fundo!
De pé, de pé, não mais senhores!
Se nada somos neste mundo
Sejamos tudo, ó produtores!
Bem unidos façamos
Nesta luta final
Uma terra sem amos
A Internacional