Semana da CGTP-IN reafirmou valor da luta
MOBILIZAÇÃO Milhares de trabalhadores levaram a cabo centenas de plenários, concentrações, tribunas públicas, manifestações, desfiles, greves e outras iniciativas, na «semana de acção e luta».
Lucros obscenos e dividendos colossais travam o desenvolvimento
Esta «extraordinária participação», que confluiu nos dias 7 a 11, em praticamente todo o País e todos os sectores de actividade, foi realçada numa saudação que a CGTP-IN divulgou na segunda-feira, dia 14.
A confederação sublinhou que foi assim reafirmada «a disponibilidade dos trabalhadores para a luta por melhores condições de vida e de trabalho e por outro rumo, onde a valorização do trabalho e dos trabalhadores são factores essenciais para o desenvolvimento do País».
No dia 11, sexta-feira, em Lisboa, no final de uma manifestação que saiu do Campo Pequeno para o Ministério do Trabalho, a Secretária-geral recordou «a intensa acção, intervenção e luta reivindicativa que os trabalhadores, organizados e mobilizados pelos nossos sindicatos, têm vindo a desenvolver» e acentuou que a luta «prosseguirá, com muitas acções já decididas até ao fim de Dezembro e já em Janeiro».
Isabel Camarinha assinalou que este conjunto de iniciativas «afirma o exercício da liberdade e actividade sindical, não permitindo a sua limitação nem cerceamento», e opõe-se a «todos os aproveitamentos da epidemia para aumentar a exploração».
Destacou, como objectivos da luta dos trabalhadores, o aumento dos salários, a negociação da contratação colectiva e dos cadernos reivindicativos (exigindo a revogação da norma da caducidade das convenções), a redução do horário de trabalho (contra os bancos de horas, laboração contínua e outras formas de desregulação).
A luta trava-se «pela passagem a efectivos e contra os despedimentos arbitrários dos trabalhadores com vínculos precários», «contra os despedimentos colectivos e em defesa dos postos de trabalho», exigindo «cumprimento dos direitos dos trabalhadores, garantia da protecção da saúde dos trabalhadores, defesa do investimento nos serviços públicos e nas funções sociais do Estado».
Como sectores onde decorreram acções de luta nestes cinco dias, Isabel Camarinha referiu a metalurgia e metalomecânica, as minas, a cerâmica e vidro, o têxtil, vestuário e calçado, o automóvel, as pescas, a agricultura, alimentação, hotelaria, restauração e bebidas, as grandes empresas da distribuição e o pequeno comércio, os serviços, as indústrias eléctricas, as IPSS e misericórdias, a vigilância e limpeza, o Serviço Nacional de Saúde, as autarquias locais e empresas municipais, os transportes e comunicações, a comunicação social, a Administração Pública, centros de contacto (call centers), a banca, os seguros, os professores (em greve nacional no dia 11).
Mais 90 euros
em 2021
Rejeitando que os salários e o seu aumento possa ser apontados como entrave ao crescimento económico, Isabel Camarinha afirmou que «o travão ao desenvolvimento do País» são «os lucros obscenos, os colossais dividendos e as rendas garantidas». «Por uma questão de justiça» e «como factor de desenvolvimento», «não aceitamos que, em tempos de recordes da especulação bolsista, se insista em travar o crescimento dos salários e, desde logo, do salário mínimo nacional», frisou.
Para a CGTP-IN, o aumento da remuneração mínima mensal garantida, anunciado pelo Governo no dia 9, é «insuficiente, aquém das possibilidades e das necessidades e não pode ser sujeito a contrapartidas». E o facto de ser anunciado um aumento de 30 euros, «quando ainda há dias, por toda a parte, se dizia ser inevitável uma subida mais curta, se não mesmo um novo congelamento, demonstra que é possível ir mais longe», assinalou a Secretária-geral.
Isabel Camarinha salientou que «as acções de luta desta semana, as que decorreram nos meses que a antecederam e as que estão já marcadas, em muitas empresas de todos os sectores, pelo aumento dos salários, serão o elemento determinante para atingir o objectivo do aumento em 90 euros, seja no sector público, seja no privado».