Utentes e trabalhadores contestam encerramento do Terminal Fluvial do Seixal
Está encerrado, desde segunda-feira, 26, e durante os próximos 42 dias, o Terminal Fluvial do Seixal devido a obras de substituição do pontão do cais. A informação da interrupção da ligação entre o Seixal e Lisboa – assegurada provisoriamente por transporte rodoviário até ao terminal de Cacilhas, Almada – foi avançada apenas na quinta-feira, 22, pela Transtejo.
No dia 23 teve lugar uma tribuna pública, promovida pela Comissão de Utentes dos Transportes do Concelho (CUT) do Seixal, para exigir a suspensão das obras no pontão de embarque e desembarque do terminal enquanto a empresa concessionária não proporcionar uma alternativa que garanta a continuidade do tráfego fluvial.
Em comunicado divulgado nesse dia, a Comissão Concelhia do Seixal do PCP considerou que «não é aceitável que a administração de uma empresa» como a Transtejo «tome decisões sobre uma obra desta dimensão e impacto sem a ter ponderado e planeado» em articulação com a Câmara Municipal do Seixal (CMS) e a Área Metropolitana de Lisboa. «A forma como se pretende fazer estas obras é reveladora da leviandade como são tratadas as questões da mobilidade por parte do Ministério do Ambiente e das empresas que tutela», acusam os comunistas.
Num ofício enviado ao ministro do Ambiente e da Acção Climática, João Pedro Matos Fernandes, e à administração da Transtejo, também a Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações e da União dos Sindicatos de Setúbal contestam a maneira como os «trabalhadores e utentes foram surpreendidos com o anúncio desta obra».
Utentes sem alternativa
No início da semana, Joaquim Santos, presidente da CMS, António Santos, presidente da União de Freguesias do Seixal, Arrentela e Aldeia de Paio Pires, e António Freitas, da CUT do Seixal, entregaram ao chefe de gabinete do ministro do Ambiente, Matos Fernandes, um ofício demonstrando o desagrado do município relativamente à suspensão do transporte de passageiros naquele terminal fluvial. No documento, onde se refere que as obras são necessárias, afirma-se que a alternativa oferecida pela Transtejo aos utentes não é exequível, uma vez que remete 2500 pessoas para o transporte rodoviário,ferroviário e fluvial, já de si sobrelotado. Esta «solução», além de criar mais constrangimentos nos meios de transporte, obriga a que cada utente tenha de despender, em média, mais uma hora em cada deslocação, implicando uma concentração de utentes onde o distanciamento físico necessário em tempos de pandemia não é possível de cumprir.
Segundo Joaquim Santos, «uma solução viável seria colocar um cais provisório de acostagem paralelamente ao decorrer das obras», permitindo que os utentes pudessem «utilizar o serviço fluvial, de forma segura, atendendo às medidas sanitárias». No Ministério do Ambiente, o autarca recordou ainda a intenção de trazer para a responsabilidade da Câmara Municipal o parque de estacionamento do Seixal da Transtejo, de forma a poder prestar um melhor serviço à população e aos utentes.