Movimento para o Socialismo (MAS) é favorito nas eleições bolivianas
BOLÍVIA Nas eleições de domingo, 18, o candidato presidencial do Movimento para o Socialismo (MAS), Luís Arce, é favorito à vitória logo na primeira volta. Mas a direita está disposta a tudo para impedir o regresso das forças progressistas ao poder.
Há sinais de que a direita não aceitará resultados desfavoráveis nas urnas
LUSA
A vitória do MAS nas eleições gerais na Bolívia, no próximo domingo, é crucial para o retorno à normalidade institucional, rompida pelo golpe de Estado de direita que forçou a demissão do presidente Evo Morales, em Novembro de 2019.
As sondagens são claras – o MAS e os seus candidatos a presidente (Luís Arce) e a vice-presidente (David Choquehuanca) são os grandes favoritos a vencer nas urnas. Contudo, a direita articula uma série de acções para impedir o triunfo das forças progressistas.
Segundo informa a Prensa Latina, as forças políticas opostas ao MAS têm dois cenários preparados: um para reagir a uma vitória da esquerda na primeira volta, como admitem os estudos de opinião, e outro para uma segunda volta eleitoral favorável a uma coligação anti-MAS.
O apoio popular maioritário ao MAS leva a direita a recorrer à repressão das forças populares – utilizando a polícia, o exército e «grupos de choque» de extrema-direita, como o Movimento Juvenil Coachala – e a encarar a recusa de entregar o poder após a derrota nas urnas, como têm denunciado numerosos activistas progressistas.
A repressão levada a cabo pelas autoridades policiais contra os movimentos e organizações sociais, os apoiantes do MAS e os descontentes com a gestão do governo de facto foi uma constante desde o golpe de Estado contra Evo Morales.
Nos últimos dias, o governo da presidente golpista Jeanine Áñez tentou criar um clima anti-MAS ao acusá-lo de atentar contra a saúde dos bolivianos, bloqueando ajudas financeiras e o fornecimento de medicamentos para combater a epidemia de COVID-19.
Ao governo inconstitucional são atribuídas outras acções como dinamizar grupos violentos que atentam contra a democracia e apelar à violência se os resultados não forem favoráveis à direita, guiões já antes vistos no país quando entre os candidatos se perfila como favorito uma figura do campo progressista.
Golpe em preparação
Além disso, há outras movimentações que fazem soar os alarmes face a uma possível onda de violência, incluindo um novo golpe de Estado, com polícias, militares e outros grupos ao serviço da direita como protagonistas.
Denúncias em meios alternativos de imprensa e nas redes sociais dão conta de reuniões do ministro da Defesa do governo golpista, Fernando López, com comandos militares de diferentes regiões da Bolívia para, de acordo com fontes internas, preparar uma série de acções encobertas visando legitimar o golpe e a repressão.
Entre esses actos constariam pressões sobre os observadores internacionais e explosões em pontos chave das principais cidades com um rasto de provas forjadas apontando a sua autoria ao MAS.
O objectivo final seria condenar publicamente o partido azul (cor da bandeira do MAS), invalidar a votação e convocar um novo processo eleitoral, sendo entretanto o país governado por generais e coronéis golpistas, que dissolveriam a Assembleia Legislativa Plurinacional e deixariam o Estado sem qualquer representação popular.
Em busca de apoio internacional para legitimar o novo golpe, o ministro do governo (Interior), Arturo Murillo, visitou Washington em busca de ajuda do governo norte-americano para impedir a vitória do MAS, sob o pretexto de fraude nas urnas e de um suposto cenário de violência.
A pouco dias das eleições, cabe aos bolivianos decidir o futuro do seu país, quanto ao regresso a um Estado de progresso, que só o MAS, com os governos de Evo Morales (2006-2019), tornou possível.