A senha ou a sanha
O Expresso está, desde a sua origem, na lista dos candidatos ao Prémio Nobel do anti-comunismo. É uma injustiça que a academia sueca não atribua esse galardão, porque o periódico já ganhou direito à presença na cerimónia de Estocolmo.
Os episódios variam, de forma quase esquizofrénica, entre o silenciamento de grandes iniciativas e comícios, de importantes debates e propostas apresentadas, procurando dar do PCP a imagem de um Partido irrelevante, e a histeria sobre o seu papel e a sua influência, utilizando, não raras vezes, a mentira como arma de arremesso dos seus objectivos.
A propósito dos 50 anos da CGTP-IN, em vez de tratar o seu incontornável contributo para a história recente do nosso País, e particularmente o seu papel na luta dos trabalhadores, os momentos marcantes do seu percurso, ou as novas realidades do Movimento Sindical - o que poderia ter feito a partir da Exposição que a Central Sindical tem patente em Lisboa - o Expresso decidiu fazer a intriga do costume, martelando os factos para confirmarem a sua tese.
Sob o título «PCP com mais influência nos 50 anos da Intersindical», o pasquim quis provar tal tese dizendo que a Secretária Geral da Central seria membro do Comité Central do Partido e que o Secretário Geral do PCP teria sido a figura central da inauguração da referida Exposição. Mentiras, uma e outra. Mentiras, e não enganos ou erros, porque seriam facilmente verificáveis por qualquer pesquisa na internet (nem precisavam de perguntar à própria) ou se tivessem estado na inauguração da Exposição.
Numa nota online, o Expresso admitiu um erro, mas não reconheceu que se tratava de uma mentira descarada para sustentar o texto e, consequentemente, que o texto assim deixava de fazer sentido.
A coisa é tão básica que eu já não sei se a estes jornalistas do Expresso calha a senha de dizer mal do PCP ou se é a sanha anti-comunista que não lhe permite ver o óbvio.