Presença dos EUA na África do Norte

Carlos Lopes Pereira

Do Sudão, chegam notícias promissoras.

O governo de Cartum e a Frente Revolucionária do Sudão, que integra diversos grupos armados – das regiões de Darfur, do Cordofão do Sul e do Nilo Azul – assinaram um acordo de paz, pondo fim a anos de conflitos armados.

À cerimónia, no dia 3, em Juba, capital sul-sudanesa, assistiram várias delegações, africanas e outras, evidenciando a complexidade do processo de negociações. Presentes representantes dos garantes da paz (Sudão do Sul, Chade, Emiratos Árabes Unidos e ONU) e das testemunhas (Egipto, Arábia Saudita, Estados Unidos e União Europeia).

Soube-se também que o governo sudanês e o Movimento de Libertação do Povo do Sudão retomarão as negociações ainda este mês. A organização de guerrilha retirou-se das conversações em protesto contra a presença na delegação governamental do general Hamdan Dagalo, comandante das Forças de Apoio Rápido, acusadas de cometer atrocidades no Darfur.

Apesar da presença de alguns destes protagonistas, círculos da União Africana consideram o acordo «um passo importante para a reconciliação nacional».

Também no Mali a situação política tende a «normalizar-se», mantendo-se, contudo, a grave crise económica, social e de segurança. A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (Cedeao) levantou as sanções económicas impostas a Bamako após golpe de Estado militar de Agosto e pretende agora cooperar com as novas autoridades.

Os chefes militares aceitaram um período de 18 meses para a «reconfiguração institucional», nomearam um presidente interino (Ba Ndaw, coronel na reserva) e um primeiro-ministro civil (Moctar Ouane, um diplomata) para o período de transição. O novo governo, com 25 ministros, incluiu quatro dos principais chefes da junta militar nas pastas de defesa, segurança, administração do território e «reconciliação nacional». O objectivo principal é organizar eleições democráticas no prazo de ano e meio. Não se conhece qualquer mudança em relação à presença de tropas estrangeiras no Mali (das Nações Unidas, da União Europeia, da França).

Menos boas são as notícias do Norte de África.

Na Líbia mantém-se a trégua e, a 28 de Setembro, começaram na cidade egípcia de Hurghada negociações entre delegações do Leste e do Oeste do país, no quadro da Comissão Militar Conjunta (5+5), facilitadas pela Missão de Apoio da ONU.

Os Estados Unidos – principais causadores da guerra e do caos na Líbia – estão agora muito activos na busca de «soluções».

Não por acaso, o secretário de Defesa norte-americano, Mark Esper, fez por estes dias um périplo por países do Norte de África. Esteve em Tunes, Argel e Rabat e assinou com a Tunísia – um «aliado maior» de Washington – e Marrocos acordos militares para os próximos 10 anos.

Na capital marroquina, tanto o ministro dos Negócios Estrangeiros do reino, Naser Burita, como o chefe do Pentágono destacaram os «sólidos laços» que unem os dois governos e a importância da cooperação bilateral na «luta contra o terrorismo» e na estabilidade regional.

Analistas em Rabat, citados pela imprensa, consideram que a visita de Esper está ligada aos esforços dos EUA para «envolver os países magrebinos na busca de soluções mais estáveis para os conflitos na Líbia e no Mali».




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