Bielorrússia denuncia ingerências externas

DE­SES­TA­BI­LIZAÇÃO Pre­si­dente Alek­sandr Lu­kashenko acusa Li­tuânia, Po­lónia e ou­tros países mem­bros da NATO de ten­tarem de­ses­ta­bi­lizar a Bi­e­lor­rússia. Em Minsk, as forças ar­madas afir­maram a sua dis­po­sição de ga­rantir a se­gu­rança na­ci­onal.

União Eu­ropeu não re­co­nhece re­sul­tados elei­to­rais e impõe san­ções

O go­verno bi­e­lor­russo deve exercer a sua au­to­ri­dade e não per­mitir que os opo­si­tores con­ti­nuem a fazer in­ti­mi­da­ções e ame­aças contra os ci­da­dãos, disse o pre­si­dente Alek­sandr Lu­kashenko, no sá­bado, 22, num co­mício em Grodno, in­forma a agência no­ti­ciosa Belta.

Lu­kashenko acusou al­guns meios de co­mu­ni­cação so­cial de serem «uma parte da guerra hí­brida de­sen­ca­deada contra a Bi­e­lor­rússia» e de ame­a­çarem e pres­si­o­narem as fa­mí­lias, de in­ti­mi­darem cri­anças, fun­ci­o­ná­rios civis, mi­li­tares e jor­na­listas, en­fa­ti­zando que o go­verno deve pôr termo a esta si­tu­ação.

Na terça-feira, 25, as forças ar­madas da Bi­e­lor­rússia afir­maram a sua dis­po­sição de ga­rantir a se­gu­rança na­ci­onal. O chefe do es­tado-maior, Ale­xandr Vol­fo­vich, de­clarou em co­mu­ni­cado, di­vul­gado pelo Mi­nis­tério da De­fesa: «Vemos o que se passa no país e à sua volta e, nesta si­tu­ação com­pli­cada, o exér­cito ga­rante e con­ti­nuará a ga­rantir a se­gu­rança mi­litar do Es­tado, da so­ci­e­dade e de cada ci­dadão que de­seje viver e tra­ba­lhar tran­qui­la­mente na Bi­e­lor­rússia». Su­bli­nhou que os mi­li­tares «não per­mi­tirão «pro­fanar os nossos mo­nu­mentos, des­truir o sis­tema de edu­cação, in­ti­midar os ci­da­dãos, pa­ra­lisar as co­mu­ni­ca­ções, mudar os va­lores mo­rais da ju­ven­tude bi­e­lo­russa».

A si­tu­ação no país mantém-se tensa, com ma­ni­fes­ta­ções anti-go­ver­na­men­tais em Minsk e nou­tras ci­dades.

Logo após as pre­si­den­ciais, no dia 9, que re­e­le­geram Lu­kashenko com mais de 80 por cento dos votos, a NATO, os EUA e a União Eu­ro­peia, de forma ar­ti­cu­lada com grupos da opo­sição in­terna, ma­ni­fes­taram de­sa­cordo em re­lação aos re­sul­tados. Pe­diram a re­pe­tição das elei­ções, apesar de elas terem sido acom­pa­nhadas por ob­ser­va­dores da OSCE (Or­ga­ni­zação para a Se­gu­rança e Co­o­pe­ração na Eu­ropa).

No dia 19, a União Eu­ro­peia adoptou me­didas contra a Bi­e­lor­rússia, que in­cluem o não re­co­nhe­ci­mento dos re­sul­tados elei­to­rais, o es­ta­be­le­ci­mento de san­ções uni­la­te­rais e a dis­po­ni­bi­li­zação de 53 mi­lhões de euros para «ini­ci­a­tivas bi­e­lor­russas».

A opo­si­tora Sve­tlana Ti­ja­nóvs­kaya, que aban­donou a Bi­e­lor­rússia de­pois de perder as elei­ções, en­contra-se na Li­tuânia, país que, com Po­lónia, Re­pú­blica Checa e Reino Unido, todos eles mem­bros da NATO, são acu­sados por Lu­kashenko de estar por de­trás dos pro­testos de rua, e de vá­rias pro­vo­ca­ções fron­tei­riças como o lan­ça­mento de ba­lões com as cores da opo­sição. Ti­ja­nóvs­kaya con­se­guiu 10,1 por cento dos votos.

O go­verno bi­e­lor­russo re­forçou a pre­sença mi­litar nas fron­teiras oci­den­tais do país – com a Li­tuânia e a Po­lónia –, de­nun­ci­ando ter ha­vido ali um au­mento de forças da NATO e ten­ta­tivas de de­ses­ta­bi­li­zação. O Mi­nis­tério da De­fesa anun­ciou exer­cí­cios mi­li­tares numa zona fron­tei­riça com a Po­lónia e a Li­tuânia entre 28 e 31 deste mês.

FMJD con­dena
apoio do im­pe­ri­a­lismo

A Fe­de­ração Mun­dial da Ju­ven­tude De­mo­crá­tica (FMJD) tomou po­sição sobre a si­tu­ação na Bi­e­lor­rússia.

Em co­mu­ni­cado, con­denou «o apoio que o im­pe­ri­a­lismo está a dar às forças re­ac­ci­o­ná­rias, de ex­trema-di­reita e fas­cistas» que par­ti­ci­param nas mo­vi­men­ta­ções dos úl­timos dias com «sím­bolos fas­cistas» e «re­jeitou a in­ge­rência, as me­didas co­er­civas uni­la­te­rais ile­gais e qual­quer ten­ta­tiva do im­pe­ri­a­lismo de impor os seus in­te­resses na Bi­e­lor­rússia ou em qual­quer país do mundo».

A FMJD rei­terou que «o fu­turo de qual­quer país do mundo dever ser di­ri­gido única e ex­clu­si­va­mente pelo seu povo, sem in­ge­rên­cias ex­ternas nem in­tro­mis­sões das forças im­pe­ri­a­listas» e ex­pressou a sua so­li­da­ri­e­dade com a ju­ven­tude e o povo da Bi­e­lor­rússia, «de­se­jando que en­con­trem, sem in­ge­rên­cias es­tran­geiras, os ca­mi­nhos da paz e do pro­gresso para o seu país».




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