Na hotelaria e alimentação começou quinzena de luta
EXIGÊNCIA Nas indústrias alimentares, na hotelaria, na restauração e na alimentação colectiva é preciso repor direitos e aumentar os salários dos trabalhadores, exige a Fesaht/CGTP-IN.
Com unidade e luta, os trabalhadores dão mais força à sua razão
Começou esta segunda-feira e prossegue até 7 de Agosto uma quinzena de luta, organizada pela Federação dos Sindicatos de Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo.
Na manhã de segunda-feira, foi realizada uma concentração junto da Autoridade para as Condições do Trabalho, no Porto, para exigir desta uma intervenção «pronta e eficaz, coerciva e penalizadora, com maior protecção dos trabalhadores».
O Sindicato da Hotelaria do Norte entregou nos serviços do Ministério do Trabalho, que funcionam no mesmo edifício, cópias de 205 queixas que, num total de 231, ficaram sem resposta da ACT desde Março. Mas, nas 26 respostas da ACT, «não foi levantado qualquer auto de notícia» e «apenas uma empresa foi obrigada a pagar juros de mora pelo não pagamento pontual da retribuição».
Também no dia 27, fizeram greve os trabalhadores do SUCH no Algarve. A elevada adesão levou praticamente ao encerramento de bares e refeitórios nos hospitais de Faro e Portimão. O Sindicato da Hotelaria do Algarve informou ainda que, de manhã, trabalhadores em greve concentraram-se no Hospital de Faro, de onde seguiram em protesto até à Administração Regional de Saúde.
Anteontem, de manhã, a Fesaht e os sindicatos da Hotelaria do Norte e do Centro realizaram uma concentração junto aos escritórios da Uniself em Matosinhos, para exigirem da concessionária de cerca de 300 cantinas escolares, naquelas regiões, aumentos salariais e o cumprimento de direitos.
Numa moção ali aprovada refere-se, entre outras matérias: o pagamento correcto aos trabalhadores a termo despedidos no mês passado; o fim do lay-off e o pagamento integral aos poucos trabalhadores efectivos; o fim da precariedade laboral extrema (mais de 90 por cento do pessoal nas escolas, contratados em Setembro e despedidos em Junho, alguns há mais de 20 anos consecutivos).
Motivos fortes
«Uma crise social profunda» significa que «milhares de trabalhadores da hotelaria estão a trabalhar sem gozar férias, fazem trabalho suplementar que não é pago, outros continuam em lay-off e com os seus magros salários reduzidos brutalmente», havendo «situações ilegais de trabalhadores a trabalhar 40 horas, mas a empresa indicando que estão em lay-off parcial». A federação, ao analisar a situação, verificou que o desemprego alastra e as associações patronais e empresas não querem ouvir falar em aumentos salariais.
Na restauração e bebidas, «milhares de trabalhadores estão a ser obrigados a trabalhar, mas têm três e quatro meses de salários em atraso e vêem os seus direitos postos em causa, designadamente os horários, o descanso semanal e as férias».
Já nas indústrias alimentares, «não obstante o aumento da produção e dos lucros», o patronato «recusa a negociação da contratação colectiva e os aumentos salariais».
Para promover esta quinzena de luta, a nível nacional, a Fesaht especificou, como principais objectivos:
• anulação das férias forçadas e dos «bancos» de horas forçados;
• anulação de todos os despedimentos desde 1 de Março;
• criação de um fundo especial, financiado pelo Orçamento do Estado, para assegurar o pagamento dos salários dos trabalhadores de empresas em dificuldades reais;
• reposição dos salários, no seu valor integral, e também dos prémios, do subsídio nocturno e do subsídio de alimentação;
• reabertura imediata de todas as empresas e pagamento imediato dos salários em atraso;
• condições de trabalho dignas, com protecção da saúde e segurança no trabalho;
• negociação da contratação colectiva e aumentos salariais dignos e justos.