Jerónimo de Sousa no debate quinzenal com o primeiro-ministro

PCP critica opções do Governo que cortam nos salários e dão milhões às grandes empresas

VIDA O PCP insiste que é preciso garantir os salários a 100 por cento, classificando de «inaceitável» o corte que em matéria salarial atinge quase um milhão de trabalhadores abrangidos pelo lay-off.

Milhares de trabalhadores sofrem a perda total ou parcial do seu salário

No debate quinzenal no Parlamento do passado dia 3 foi por este tema que o Secretário-geral do PCP iniciou o seu questionamento ao primeiro-ministro, querendo saber se este está ou não empenhado em assegurar a todos os trabalhadores o direito à totalidade do salário e a garantir a sua valorização.

O chefe do Governo foi confrontado nomeadamente com a dissonância patente entre as declarações por si proferidas de que «não se regressaria ao tempo dos cortes» e o facto de hoje centenas de milhares de trabalhadores estarem a sofrer perdas totais ou parciais de salários e outras remunerações.

«Quase um milhão em lay-off, com perdas de 33% do salário. Mais de 100 mil despedidos, a maior parte dos quais por estarem em contratos a prazo. Dezenas de milhar dispensados sem qualquer direito, perdendo todos os meios de subsistência, por estarem em recibos verdes e outras formas de precariedade», sumariou o líder comunista, retratando de forma fiel o brutal quadro que se abateu sobre a vida de milhares e milhares de trabalhadores.

Situação que na perspectiva do PCP se torna ainda mais intolerável na exacta medida em que ao mesmo tempo que esses trabalhadores viram um terço do seu salário evaporar-se, 55 por cento das grandes empresas - uma parte das quais multinacionais - foram premiadas por muitos milhões de euros do erário público.

Opção governamental que o responsável comunista voltou a criticar, apelidando-a de «injusta para os trabalhadores e perniciosa para a economia», e lembrando que são já mais de 400 mil os trabalhadores registados nos centros de emprego.

E reiterando que o PCP não aceita que ao fim de três meses o trabalhador perca o equivalente a um «salário inteiro», Jerónimo de Sousa, separando o trigo do joio, disse saber que «há empresas a precisar de ajuda», mas essas são as micro, pequenas e médias empresas» e ainda «aguardam por uma mais ajuda efectiva».

Desvalorizar as perdas

Embora reconhecendo que a «austeridade seria o pior caminho para responder à crise» e que a «política de valorização dos rendimentos foi essencial na recuperação económica» – concordando ssim com Jerónimo de Sousa, que sublinhara logo a abrir a sua intervenção que a anterior legislatura evidenciara que foi a «valorização dos salários e rendimentos dos trabalhadores que alavancou o crescimento da economia e do emprego» -, o primeiro-ministro desvalorizou a gravidade e alcance da perda salarial decorrente do lay-off ao definir a medida como sendo de «protecção dos postos de trabalho».

«Não estaríamos a falar dos 400 mil desempregados, mas a falar de algo muitíssimo superior a esse valor», afirmou, justificando-se ainda com a circunstância de o Estado ter sido «obrigado a dizer à generalidade das empresas que têm de fechar, aos trabalhadores e consumidores que têm de ficar em casa».

Argumentou ainda que a «protecção de rendimentos implica a protecção de emprego, e a protecção de emprego implica a protecção das empresas».

Questões por aclarar

Já sobre o empenho do Governo em assegurar a todos os trabalhadores o direito a 100% do seu salário, pergunta directa que lhe fora colocada por Jerónimo de Sousa, nada se ouviu do primeiro-ministro, adiantando apenas de forma vaga que o Governo está a trabalhar para que o «regime depois de 1 de Julho não seja só um mecanismo que incentive a retoma da actividade mas também inicie um processo de recuperação dos rendimentos dos trabalhadores que se encontram na actual situação de lay off».

E ficou-se por aí, sem mais detalhes, não obstante o desafio do Secretário-geral do PCP para que esclarecesse se o Executivo do PS se compromete com a palavra dada de «não regressar ao passado dos cortes e da desvalorização dos rendimentos do trabalho».

Tal como nada adiantou sobre a necessidade de alargar os apoios sociais às famílias que estão a passar por tremendas dificuldades, fazendo crescer a olhos vistos bolsas cada vez maiores de pobreza.




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