Alarme e luta firme nas ruas de Sines
URGÊNCIA A elevada precariedade laboral, estimulada pelas maiores empresas do complexo industrial de Sines, serviu para despedir centenas de trabalhadores, criando uma grave situação social e económica.
«Esta expressão de rua tem um grande significado» no actual momento
A marcha de dia 21, ao final da tarde, levou para as ruas de Sines e para os noticiários nacionais o drama de centenas de famílias, que desde Março viram os seus rendimentos drasticamente diminuídos, com reflexos no pequeno comércio local.
A luta «pela defesa do emprego, pela reintegração de todos os trabalhadores» – como se exigia na única faixa desta acção, transportada por três dirigentes sindicais e trabalhadores de empresas do complexo, a abrir o desfile de um «cordão humano» em duas filas paralelas, mobilizou cerca de três centenas de dirigentes e delegados sindicais e outros trabalhadores, desde o Jardim das Descobertas até ao Rossio (Jardim da República).
O «grande significado» desta jornada foi destacado, em declarações à comunicação social, pelo Secretário-geral do PCP. Acompanhado por Sandra Pereira, deputada no Parlamento Europeu, e por vários dirigentes do Partido e eleitos em órgãos autárquicos, como Álvaro Beijinha, presidente da Câmara Municipal de Santiago do Cacém, e Vítor Proença, presidente da Comunidade Intermunicipal do Alentejo Litoral, Jerónimo de Sousa observou que, se «o vírus pode matar», «despedir ou cortar salários também destrói vidas», sendo esta «uma causa funda, que leva a que os trabalhadores aqui se manifestem».
Direito a lutar
na rua
«Mais uma vez se confirma aquele princípio de que os direitos defendem-se, exercendo-se», e os trabalhadores «estão a exercer o direito de manifestação, de indignação, de luta pela defesa do seu posto de trabalho», disse Jerónimo de Sousa, realçando que «esta expressão de rua tem um grande significado, num tempo em que pedem às pessoas para baixar braços, para se confinarem, para não lutarem».
Ao intervir na concentração, no final da marcha, a Secretária-geral da CGTP-IN considerou a jornada em Sines como a demonstração de que «é preciso haver organização, acção e luta dos trabalhadores, para exigir a garantia da saúde, do emprego, dos salários e dos direitos».
«Temos exigido isto desde a primeira hora, exercendo os direitos que temos» e que «não estão suspensos pelo vírus», «como nós demonstrámos no 1.º de Maio, desde que se garanta o cumprimento das normas exigidas para a protecção da saúde», sublinhou Isabel Camarinha.
«Isso, que fizemos no 1.º de Maio, estamos hoje aqui a fazer» e «é a isto que exortamos os trabalhadores, que estão a ser atacados violentamente, pelas opções que estão a ser tomadas pelo Governo, as quais não garantem nem o emprego, nem o salário, nem os direitos dos trabalhadores», insistiu a dirigente.
A importância de fazer uso do direito de manifestação fora destacada logo pelo primeiro orador. «É com acções destas, coordenadas pela CGTP-IN, na rua – porque a luta é na rua – que temos de seguir em frente e combater esta ofensiva brutal do patronato, dos grandes grupos económicos», afirmou Pedro Carvalho, dirigente do SITE Sul e trabalhador, há mais de uma década, na manutenção da Petrogal, também ele despedido em Março da CMN (subcontratada pela Martifer, que por sua vez está subcontratada pela Petrogal).
Luís Leitão, coordenador da União dos Sindicatos de Setúbal, também saudou «os que estiveram nas ruas no 1.º de Maio, a lutar pelo emprego, por salários, a dizer não aos lay-off», realçando que «cumprimos as regras de segurança, a rua é nossa, é lá que se combate».
Dirigiu «uma palavra de muita confiança aos trabalhadores do complexo que, no dia 4, perante aquilo que não queriam que eles fizessem, se reuniram em plenário no Jardim das Descobertas, de onde partimos para marcar esta luta».
A «coragem» destes trabalhadores foi saudada também pelo coordenador da Fiequimetal.
«Não confundimos o importante distanciamento social, que é preciso manter para defender a saúde, com o distanciamento dos problemas reais dos trabalhadores», disse Rogério Silva, recordando que «temos vindo a lutar, há muitos anos, para que cada posto de trabalho precário passe a ser efectivo», porque «todos estes trabalhadores desempenham funções absolutamente essenciais».
A encerrar a série de intervenções no Rossio, o coordenador do SITE Sul, Eduardo Florindo, garantiu que a luta vai continuar. Nos próximos dias será posto a correr, empresa a empresa, um abaixo-assinado, e serão tomadas decisões quanto a outras iniciativas. É que, além dos despedimentos e recursos ao lay-off já concretizados, continuam a surgir novas situações, como na semana passada sucedeu na Euroresinas (lay-off contestado pelo sindicato).