Decidido lutar contra despedimentos no complexo industrial de Sines
RESISTÊNCIA Contra os despedimentos de centenas de trabalhadores com vínculos precários nas maiores instalações do complexo industrial de Sines, foi decidido realizar uma marcha dia 21.
Há uma situação de exploração intensiva dos trabalhadores, em cadeia
A decisão de realizar uma marcha nas ruas da capital do concelho foi tomada esta segunda-feira, dia 4, num plenário que o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Actividades do Ambiente do Sul convocou para o Jardim das Descobertas e que contou com cerca de uma centena de participantes.
Quando anunciou esta reunião, uma semana antes, o SITE Sul recordou o combate que tem dado à proliferação da precariedade de emprego, em especial o «trabalho à hora». Foi criada «uma situação de exploração intensiva dos trabalhadores, em cadeia, com as grandes empresas do complexo no topo da pirâmide e, na base, as dedicadas à cedência de mão-de-obra e trabalho temporário».
Logo no início da crise originada pela COVID-19, o sindicato da Fiequimetal/CGTP-IN «alertou as autoridades para a calamidade social que representaria o despedimento de centenas de trabalhadores».
No comunicado, referia-se que estavam já«contabilizados cerca de 600», mas admitia-se que «são muitos mais». No Centro de Emprego de Sines tinha havido«um aumento, sem precedentes, de 700 pedidos de emprego», só que os desempregados serão«muitos mais, que nem sequer terão direito a subsídio de desemprego».
O plenário, que se realizou respeitando o distanciamento e medidas de prevenção, como o uso de máscaras, foi convocado com o sindicato a alertar publicamente para «uma manifesta urgência de que todos os trabalhadores, sem qualquer excepção, sejam abrangidos pelo subsídio de desemprego».
A luta dos trabalhadores alarga o seu objectivo de defesa do emprego e inclui a defesa da economia do concelho e de todo o Litoral Alentejano, em particular o pequeno comércio, afectado pela drástica quebra de rendimentos da população assalariada.
Com os trabalhadores e dirigentes sindicais, no plenário de segunda-feira à tarde, esteve o deputado Bruno Dias, acompanhado por dirigentes do PCP.
O SITE Sul valorizou o trabalho de unidade e organização que tem vindo a ser realizado, para exigir melhores condições de trabalho e combater a precariedade laboral. Esta acção esteve na base dos plenários realizados a 19 de Fevereiro, numa colectividade de Sines, e a 3 de Março, na portaria da refinaria da Petrogal. A reunião que ficara decidida para dia 3 de Abril teve de ser adiada.
As reivindicações são dirigidas ao Governo e também à Câmara Municipal de Sines, no âmbito das suas atribuições.
Maior
preocupação
A paragem da refinaria de Sines, desde dia 4, suscitou preocupações acrescidas.
Está presente o facto de, no início de Março, terem sido despedidos 80 trabalhadores das empresas empreiteiras a laborar na manutenção regular da Petrogal, porque esta decidiu reduzir os contratos com a Martifer.
A Galp Energia, ao mesmo tempo que ofereceu aos accionistas muito mais do que foi o resultado líquido anual, anunciou ainda cortes da ordem dos mil milhões de euros, em custos e investimentos.