45 anos - Vitória do Vietname sobre o imperialismo norte-americano
A heróica resistência do povo vietnamita derrotou o imperialismo norte-americano
No dia 30 de Abril de 1975 o Exército Popular do Vietname libertou Saigão – actual Cidade Ho Chi Minh. Chegava ao fim mais de um século de dominação estrangeira e uma das mais bárbaras guerras da História, com que o imperialismo norte-americano tentou impedir a libertação nacional e social do povo vietnamita.
No Século XIX, Vietname, Laos e Cambodja (a ‘Indochina’) foram colonizados pela França. Na Segunda Guerra Mundial, o Japão ocupou a Indochina, mantendo em funções as administrações coloniais do regime de Vichy, colaboracionista com a Alemanha nazi.
Os comunistas vietnamitas, sob a direcção do grande herói nacional vietnamita, Ho Chi Minh, conduziram a luta de libertação nacional e, em Setembro de 1945, Ho Chi Minh proclama a independência do Vietname, perante uma enorme multidão em Hanói. Em simultâneo, tropas britânicas (já com o governo trabalhista de Attlee) desembarcam em Saigão, no Sul do Vietname, para ajudar a reestabelecer o domínio colonial da França. Em 1954 as tropas coloniais francesas são derrotadas na histórica batalha de Dien Bien Phu. As vitoriosas forças militares vietnamitas eram comandadas por outro grande dirigente comunista vietnamita, o lendário General Vo Nguyen Giap. A derrota obrigou a França a retirar-se das suas colónias no Sudeste asiático. O Vietname foi dividido em dois pelos Acordos de Genebra de 1954, uma solução provisória até à realização de eleições em 1956. Seguros duma vitória eleitoral dos comunistas vietnamitas e dos seus aliados patriotas, os EUA, substituindo a França, anulam as eleições e perpetuam a divisão do país, dando origem a uma nova guerra que só terminaria em 1975, com a vitória do Vietname.
Os brutais crimes do imperialismo norte-americano no Vietname ficaram na História. Às repressões em larga escala (como o Programa Phoenix) e massacres (como My Lai), juntaram-se bombardeamentos duma intensidade que ultrapassou os de toda a Segunda Guerra Mundial. Os EUA usaram sistematicamente napalm, que queima a pele das vítimas, ou desfoliantes à base de dioxina, como o Agente Laranja, cujas sequelas ainda hoje se fazem sentir nas muitas crianças nascidas com malformações congénitas graves. Após 1965, a Força Aérea dos EUA bombardeou ferozmente os principais centros urbanos do Norte do Vietname, país internacionalmente reconhecido. O pretexto invocado foi um suposto ataque a navios militares dos EUA no Golfo de Tonquim. Os famosos Pentagon Papers provaram mais tarde tratar-se duma mentira de guerra imperialista, como tantas outras, antes e depois.
A heróica resistência do povo vietnamita, conduzida pelo Partido Comunista do Vietname, contou com o apoio solidário dos países socialistas – em especial da URSS –, incluindo no plano do equipamento militar. Suportando enormes sacrifícios, o povo vietnamita foi capaz de infligir pesadas baixas ao inimigo. Muitas centenas de milhar de soldados dos EUA passaram pelo Vietname (em 1968 ultrapassavam meio milhão). Quase 60 mil perderam a vida. Cerca de mil aviões de combate dos EUA foram abatidos. Mas, pese embora a versão “hollywoodesca”, as perdas mais terríveis foram do povo vietnamita, que sofreu mais de um milhão de mortos e destruições apenas comparáveis às de outra guerra genocida, a que foi levada a cabo pelo imperialismo norte-americano contra a Coreia (1950-53).
A heróica resistência do povo vietnamita gerou um poderoso movimento mundial de solidariedade, nomeadamente em Portugal. A oposição à guerra teve também grande impacto nos EUA, incluindo no seio das próprias forças armadas norte-americanas, com numerosas deserções, levantamentos e mesmo ataques a oficiais superiores por parte de soldados. A revolta contra a guerra, e contra a discriminação racial, conduziram os EUA à sua maior crise da História recente.
A derrota infligida pelo povo e os comunistas vietnamitas ao imperialismo norte-americano marcou a História do Século XX. A gloriosa vitória de há 45 anos foi uma vitória dos povos de todo o mundo.