Um «exército de batas brancas»
Os números, preocupantes, crescem todos os dias.
A pandemia de COVID-19 continua a expandir-se no mundo, com cerca de três milhões de casos confirmados em 183 países, segundo dados da Organização Mundial de Saúde. Prosseguem, no meio da crise sanitária, os esforços da comunidade científica para, quanto antes, chegar a uma vacina.
Em África, o Centro para o Controlo e a Prevenção de Doenças, em Nairobi, informou, no dia 28, o registo de 33 mil casos de contágio, com quase 1500 mortes. O Egipto (com 337 mortes) e a África do Sul (com 90) são os países mais atingidos.
Com economias dependentes (dívida, baixos preços das matérias-primas, guerras, enfeudamento a interesses neocoloniais) e sistemas de saúde débeis, a maioria dos países africanos enfrenta em paralelo outras doenças (malária, sida, tuberculose) e pragas (como a de gafanhotos, no Leste). Neste sentido, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação (FAO) alertou para o risco de fome que vários países do continente correm com o avanço da pandemia a afectar práticas agrícolas e pastorícias.
Mas de África chegam também notícias alentadoras, em geral distorcidas ou ocultadas pelos meios de informação dominantes.
Há o continuado apoio da China, reconhecido pela União Africana.
E há a solidariedade de Cuba. Apesar de enfrentar a COVID-19 no próprio país em condições difíceis, devido ao bloqueio imposto há quase 60 anos pelos Estados Unidos e agravado nos últimos meses para tentar impedir a entrada de alimentos, combustível e medicamentos, Cuba enviou nas últimas semanas para 22 países quase 1500 especialistas de saúde para ajudar na emergência sanitária.
Integrante do contingente internacionalista Henry Reeve – um «exército de batas brancas» criado em 2005 por Fidel Castro, para responder a situações de desastres e epidemias – a mais recente brigada médica cubana chegou à África do Sul, formada por 216 médicos, enfermeiros e outros técnicos. Dias antes, brigadas semelhantes chegaram a Angola, Togo e Cabo Verde.
Em Pretória, na base aérea de Waterkloof, a ministra da Defesa, Nosiviwe Mapisa-Nqakula, destacou a coincidência de a missão cubana chegar a 27 de Abril, Dia da Liberdade na África do Sul. «Para todos vocês, no espírito de Fidel Castro, obrigado, muito obrigado. Sabemos que não são a primeira brigada médica cubana, e tão-pouco serão a última que vai ajudar os povos de África», afirmou.
Já a ministra da Governança Cooperativa e Assuntos Tradicionais, Nkosazana Dlamini-Zuma, recordou que «os cubanos sempre estiveram connosco, desde quando lutávamos pela liberdade». Lembrou a ajuda de Cuba à África do Sul democrática e a presença de médicos cubanos no continente quando foi necessário lutar contra a epidemia de ébola.
Também a ministra das Relações Internacionais e Cooperação, Naledi Mandisa Pandor, agradeceu a pronta resposta de Havana: «Cuba provou uma vez mais o seu carácter de baluarte da solidariedade internacional».
Como enfatizou o embaixador cubano em Pretória, Rodolfo Benítez, a presença dos médicos de Cuba na África do Sul «é uma clara demonstração de que o legado deixado por Nelson Mandela e Fidel Castro está plenamente actual, continua vivo».