China rejeita «mentiras descaradas» dos EUA sobre pandemia
ACUSAÇÃOA China acusou os EUA de «mentiras descaradas», depois de o presidente Donald Trump ter admitido a possibilidade de pedir uma indemnização a Pequim por danos causados pela pandemia.
COVID-19: OMS lança novos alertas tendo em vista o combate contra a pandemia
Os dirigentes dos EUA «ignoraram repetidamente a verdade e proferiram mentiras descaradas», afirmou na terça-feira, 28, um porta-voz do governo chinês, Geng Shuang. «Eles têm apenas um objetivo: isentarem-se de qualquer responsabilidade pela forma como geriram a epidemia» e «desviar a atenção» do que se passa no seu país, acrescentou.
Uns dias antes, o mesmo diplomata tinha comentado uma queixa apresentada pelo Estado do Missouri contra o governo chinês: «Essa dita queixa (…) não se baseia em nenhuma prova». E classificou a acção de «absurda», antes de salientar que as medidas adoptadas pela China não são «da esfera dos tribunais americanos».
Geng Shuang perguntou se, no caso da gripe H1N1 que surgiu nos EUA e propagou-se por mais de 214 países e regiões em 2009, causando cerca de 200 mil vítimas, alguém tinha pedido reparações à parte americana. Para a China, «o vírus é um inimigo comum de toda a humanidade e pode atacar não importa quando e onde». Como os outros países, «a China é igualmente uma vítima, e não um culpado, ou ainda menos um cúmplice do vírus».
O responsável chinês lembrou que «nos anos 80, a sida foi descoberta em primeiro lugar nos EUA e propagou-se pelo mundo. Alguém pediu contas aos EUA?». Referiu ainda que, em 2008, a derrocada do Lehman Brothers tinha evoluído para uma crise mundial generalizada, sem que ninguém tenha exigido à parte americana «suportar as consequências».
Em suma, explicou: «Os EUA devem compreender que o seu inimigo é o vírus, não a China. Atacar e denegrir outros países não ajudará a ganhar tempo ou a salvar vidas. Esperamos que os EUA respeitem os factos, a ciência e consenso internacional, cessem de atacar e acusar a China sem razão, ponham fim a acusações irresponsáveis e se concentrem antes na luta contra a epidemia no seu país e na promoção da cooperação internacional».
China entrega à OMS
50 milhões de dólares
A China anunciou que doou mais 30 milhões de dólares à OMS, concedendo assim o seu segundo contributo financeiro em 2020 para apoiar a luta contra a pandemia de COVID-19.
Em Pequim, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Geng Shuang, disse que o seu governo decidiu entregar esses fundos com o propósito de apoiar os países com sistemas de saúde pública frágeis.
«Apoiar a OMS neste momento crítico na batalha mundial contra a pandemia é defender os ideais e princípios do multilateralismo e manter o estatuto e a autoridade das Nações Unidas», realçou.
Com esta contribuição, atingem os 50 milhões de dólares os fundos entregues pela China à agência da ONU para a saúde. No princípio de Março, Pequim fez um outro donativo de 20 milhões de dólares.
A atitude de Pequim contrasta com a de Washington, que optou por suspender a sua quota financeira à OMS, a pretexto de que a organização cometeu erros no enfrentamento da pandemia.
Ao contrário, a China defende o papel da OMS e a liderança do seu director-geral ao impulsionar outros países a fortalecer a prevenção e a combater a pandemia de maneira científica e racional. Pequim reafirmou a sua disposição de continuar a trabalhar, a nível regional e internacional, com outros países na protecção da segurança sanitária e da saúde pública.
COVID-19:
OMS lança novos alertas
Quando numerosos países, principalmente na Europa, começam a levantar as restrições para travar a propagação do coronavírus SARS-Cov2, nomeadamente o confinamento e as restrições de circulação de pessoas, a OMS alertou, na segunda-feira, 27, para as consequências de apressar demasiado este processo, motivado sobretudo pela urgência de reactivar as economias.
Em Genebra, o director executivo do Programa de Emergências Sanitárias da OMS, Michael Ryan, avisou que levantar o confinamento de forma precipitada poderia ter a prazo um «maior impacto» na economia.
Do seu lado, o director-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, instou os países europeus a «encontrar, isolar, examinar e tratar todos os casos de COVID-19 e rastrear cada contacto» para travar os contágios.
Declarou que a OMS está preocupada com o alastrar da pandemia em África, Europa oriental, América Latina e alguns países asiáticos.
Acrescentou que a crise da COVID-19 está longe de terminar, ainda existindo um longo caminho por diante e muito trabalho por fazer contra a enfermidade letal, que chegou a 183 países.
De acordo com números da OMS, os Estados Unidos são hoje o país mais afectado pela pandemia, com mais de um milhão de pessoas contagiadas com o coronavírus SARS-Cov2 e mais de 56 mil mortes.
Apesar dos números alarmantes, um grupo de Estados norte-americanos – entre os quais Alasca, Arkansas e Colorado – anunciaram o relaxamento de medidas de distanciamento social e retomaram actividades económicas, enquanto outros – Mississippi, Montana e Tennessee – decidiram levantar gradualmente as restrições.