O antídoto
O «coronavírus» (Covid-19) tem vindo a assumir-se como um real problema de saúde pública. É um problema que requer, como sublinhou Jerónimo de Sousa no debate quinzenal com o primeiro ministro na semana passada, «reforço das medidas de prevenção no plano da saúde pública, articuladas com a criação de condições e meios para a resposta clínica que venha a exigir-se».
Pois bem, cavalgando este problema, que naturalmente preocupa os portugueses, vai-se criando uma onda sensacionalista e alarmista visando os objectivos mais diversos: uns, como o CDS e o PSD reclamam a revisão da Constituição apontando nela o impedimento para uma verdadeira «solução». Outros, como o Governo, preocupado com o grande capital, anuncia apoios e medidas que o protejam. Outros, como o grande patronato, identificam na situação uma oportunidade para reclamar dinheiros públicos e contenção nos salários.
O PCP insiste que temos Constituição e lei que cheguem para que possam ser tomadas as medidas necessárias à defesa da saúde dos portugueses, ao mesmo tempo que exige que se agilizem regras e procedimentos da contratação pública para que as unidades de saúde públicas possam de forma rápida e eficaz adquirir bens ou serviços que sejam necessários na resposta.
Como se vê, a luta de classes continua a ser o factor determinante na transformação social. Para o grande capital e as forças políticas que o servem as «soluções» passam por privatizar ainda mais, conter salários, reduzir direitos, aumentar a exploração. Para o PCP, para os trabalhadores e para o povo português a saída passa pelo reforço dos serviços públicos, a começar pelo Serviço Nacional de Saúde, pela valorização do trabalho e dos trabalhadores, pela defesa e reforço dos direitos.
E, neste confronto, a luta organizada é o único antídoto eficaz e necessário.