O antídoto

Manuel Rodrigues

O «co­ro­na­vírus» (Covid-19) tem vindo a as­sumir-se como um real pro­blema de saúde pú­blica. É um pro­blema que re­quer, como su­bli­nhou Je­ró­nimo de Sousa no de­bate quin­zenal com o pri­meiro mi­nistro na se­mana pas­sada, «re­forço das me­didas de pre­venção no plano da saúde pú­blica, ar­ti­cu­ladas com a cri­ação de con­di­ções e meios para a res­posta clí­nica que venha a exigir-se».

Pois bem, ca­val­gando este pro­blema, que na­tu­ral­mente pre­o­cupa os por­tu­gueses, vai-se cri­ando uma onda sen­sa­ci­o­na­lista e alar­mista vi­sando os ob­jec­tivos mais di­versos: uns, como o CDS e o PSD re­clamam a re­visão da Cons­ti­tuição apon­tando nela o im­pe­di­mento para uma ver­da­deira «so­lução». Ou­tros, como o Go­verno, pre­o­cu­pado com o grande ca­pital, anuncia apoios e me­didas que o pro­tejam. Ou­tros, como o grande pa­tro­nato, iden­ti­ficam na si­tu­ação uma opor­tu­ni­dade para re­clamar di­nheiros pú­blicos e con­tenção nos sa­lá­rios.

O PCP in­siste que temos Cons­ti­tuição e lei que che­guem para que possam ser to­madas as me­didas ne­ces­sá­rias à de­fesa da saúde dos por­tu­gueses, ao mesmo tempo que exige que se agilizem re­gras e pro­ce­di­mentos da con­tra­tação pú­blica para que as uni­dades de saúde pú­blicas possam de forma rá­pida e eficaz ad­quirir bens ou ser­viços que sejam ne­ces­sá­rios na res­posta.

Como se vê, a luta de classes con­tinua a ser o factor de­ter­mi­nante na trans­for­mação so­cial. Para o grande ca­pital e as forças po­lí­ticas que o servem as «soluções» passam por pri­va­tizar ainda mais, conter sa­lá­rios, re­duzir di­reitos, au­mentar a ex­plo­ração. Para o PCP, para os tra­ba­lha­dores e para o povo por­tu­guês a saída passa pelo re­forço dos ser­viços pú­blicos, a co­meçar pelo Ser­viço Na­ci­onal de Saúde, pela va­lo­ri­zação do tra­balho e dos tra­ba­lha­dores, pela de­fesa e re­forço dos di­reitos.

E, neste con­fronto, a luta or­ga­ni­zada é o único an­tí­doto eficaz e ne­ces­sário.




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