Lula implica Washington na sua prisão e acusa EUA de querer petróleo do Brasil
O ex-presidente brasileiro Lula da Silva denunciou a conivência dos Estados Unidos no processo que o levou à prisão e acusou Washington de estar interessado em controlar o petróleo do Brasil. «A minha condenação foi ordenada e o Departamento de Justiça [dos EUA] esteve profundamente implicado [nesse processo], o que é explicado pelo facto de o Brasil ter descoberto a maior reserva petrolífera do século XXI», afirmou o fundador do Partido dos Trabalhadores (PT) brasileiro.
Lula discursava na capital francesa, na terça-feira, 2, na cerimónia da atribuição do título de Cidadão Honorário de Paris, que lhe foi atribuído pela presidente da câmara parisiense, Anne Hidalgo, pela sua luta contra a pobreza e as desigualdades. De acordo com o dirigente brasileiro, outra razão para a sua prisão sob falsas acusações e para o impedimento da sua candidatura nas eleições presidenciais de 2018 foi o seu compromisso com a inclusão dos mais humildes, uma das justificações para receber o título honorífico.
«Não era habitual que no Brasil os pobres comessem três vezes por dia, que se tenham criado 20 milhões de empregos, que os filhos dos pobres pudessem fazer mestrados e doutoramentos e que os filhos de pessoas negras chegassem à universidade», disse Lula.
Na sua intervenção, afirmou também que durante os 580 dias de prisão injusta o seu objectivo não foi sair em liberdade mas o de demonstrar a sua inocência. Agradeceu a solidariedade dos brasileiros e de muitas pessoas no mundo e denunciou a cruzada contra Dilma Rousseff para interromper o seu mandato presidencial e a campanha de mentiras contra Fernando Haddad, candidato do PT e de outras forças de esquerda nas eleições de 2018. Tanto Dilma como Haddad assistiram à cerimónia.
O título de Cidadão Honorário de Paris tem sido concedido pelo município da capital francesa a cidadãos defensores dos direitos humanos presos pelas suas lutas. Fazem parte dessa lista de agraciados o norte-americano Mumia Abu-Jamal, o primeiro a receber a distinção, em 2001, e o sul-africano Nelson Mandela, em 2013.