Franceses rejeitam alteração das reformas
MANIFESTAÇÃO Milhares de franceses voltaram às ruas de Paris e de outras cidades para exigir a retirada da proposta de legislação apresentada pelo governo para alterar o sistema de cálculo das reformas.
Sindicatos e forças de esquerda continuam a opor-se à lei de Macron
Convocados pela Intersindical, que reúne a Confederação Geral do Trabalho (CGT), Força Operária, Federação Sindical Unitária, Solidários e Jovens, e por outras organizações, trabalhadores de diversos sectores desfilaram na capital francesa, no dia 20, com cartazes, bandeiras e balões gigantes, entoando palavras de ordem, em mais uma manifestação contra o propósito do governo de alterar o sistema de cálculo das pensões de reforma.
A jornada de protesto foi a décima, depois das acções massivas realizadas a 5, 10 e 17 de Dezembro, a 9, 11, 16, 24 e 19 de Janeiro e a 6 de Fevereiro, contra o sistema universal de pensões por pontos preconizada pelo presidente Emmanuel Macron.
Essas manifestações tiveram lugar num contexto diferente, porque agora a proposta deu já entrada na Assembleia Nacional como projecto de lei para discussão, apresentada pelo partido governante, A República em Marcha, que conta com ampla maioria de deputados.
O governo do primeiro-ministro Edouard Philippe pretende submeter o texto a votação final no próximo Verão, apesar das acções de parlamentares da esquerda, que avançaram no debate com mais de 40 mil emendas à proposta de lei e promoveram uma moção para travar os debates, a qual foi derrotada por 160 votos contra 70.
Apesar de tudo, as organizações sindicais que se opõem à alteração do sistema actual de reformas garantem que vão manter os protestos.
Sindicatos e forças de esquerda qualificam a proposta governamental como devastadora para os bolsos dos reformados e como favorável aos interesses financeiros, representados por bancos, seguradoras e fundos.
O secretário nacional do Partido Comunista Francês, Fabien Roussel, afirmou que é uma prioridade para os comunistas travar a alteração da lei, porque é injusta e prejudica os trabalhadores.