O muro económico
Nestes dias em que, do PR ao Google, todos têm algum muro a comentar, pode ser útil optar pela objectividade de dados económicos. Passemos a palavra ao insuspeito World Inequality Report 2018 (Relatório sobre a Desigualdade no Mundo 2018, https://wir2018.wid.world/executive-summary.html). Significativamente, este Relatório utiliza dados desde os anos 80 do século passado. Eis um brevíssimo relance:
- «O crescimento da desigualdade foi particularmente abrupto na Rússia.» […] «Foi particularmente extrema a divergência entre os níveis de desigualdade na Europa Ocidental e os EUA, que eram semelhantes em 1980 mas têm hoje situações radicalmente diferentes. Enquanto o rendimento do 1% mais alto era em 1980 próximo dos 10% em ambas as regiões, cresceu ligeiramente na Europa Ocidental para 12 % em 2016 mas disparou para os 20% nos EUA.[…]»
- […] «Devido à elevada e crescente desigualdade no interior dos países, os 1% mais ricos no mundo capturaram desde 1980 o dobro do crescimento do rendimento dos 50% mais pobres.»
- […] «Desde 1980 ocorreram em praticamente todos os países, ricos ou emergentes, muito largas transferências de riqueza pública para privada. […] A riqueza pública total (ou seja, os activos públicos menos a dívida pública) declinou em praticamente todos os países desde os anos 80. […] passou mesmo a negativa, em anos recentes, nos EUA e Reino Unido, e apenas é ligeiramente positiva no Japão, Alemanha e França».
É assim que, se a Guerra Fria teve óbvios vencedores, os seus derrotados estão em todo o lado. São os que são maioria em todos os países, aqueles que apenas dispõem da sua força de trabalho para vender. E é a maior parte dos seus Estados, hoje economicamente irrelevantes face ao esmagador poder do capital monopolista.