Apresentadas novas edições de obras de Orlando da Costa
A sala José Saramago, no Palácio Galveias, em Lisboa, encheu-se, segunda-feira, 11 de Novembro, para uma sessão comemorativa dos 90 anos do escritor Orlando Costa. Além da participação das Edições «Avante!», com uma nova edição do romance «Podem Chamar-me Eurídice...», com prefácio de Ana Margarida de Carvalho e pinturas de José Santa-Bárbara, a iniciativa da Associação Portuguesa de Escritores (APE) levou também à edição pela Leya/Caminho de uma nova edição do livro «O Signo da Ira».
Na sua intervenção, Francisco Melo lembrou o «militante comunista dedicado desde 1954» cuja «militância antifascista levou-o por mais de uma vez aos cárceres da ditadura salazarista, fez com que a PIDE apreendesse nada menos que cinco dos seus livros e o impedisse de leccionar, além de outras perseguições de que foi vítima».
Mas como recordou, «a publicação deste livro de Orlando da Costa não se reduz a um mero acto de reconhecimento partidário para quem foi um dedicado membro do PCP, antes e depois do 25 de Abril». Antes, «despertar o interesse pela leitura dos romances, das peças de teatro e da poesia de Orlando da Costa é uma obrigação que nos impõe a todos uma obra de incontestável qualidade literária e que tanto enriquece o nosso património cultural» e cuja divulgação é «tanto mais necessária quanto vemos hoje serem esquecidos ou espezinhados os valores democráticos e de luta libertadora, os valores humanistas multifacetados que enformam a obra de Orlando da Costa».
A sessão, que terminou com um momento musical com Luís Pipa ao piano, contou também com intervenções de José Manuel Mendes, da APE, de Zeferino Coelho, da Leya/Caminho, e de António Costa, filho de Orlando Costa e primeiro-ministro de Portugal.