Lula libertado garante continuar luta no Brasil
GARANTIA Lula saiu da prisão, em Curitiba, agradeceu aos apoiantes, criticou o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Justiça, Sérgio Moro, e garantiu que vai continuar a lutar pelo povo brasileiro.
«Não encarceraram um homem, tentaram matar uma ideia»
lusa
O ex-presidente Lula da Silva afirmou que quando foi ordenada a sua detenção decidiu permanecer no Brasil para desmontar as mentiras e desmascarar o ex-juiz e actual ministro da Justiça, Sérgio Moro.
«Se tivesse saído do Brasil quando se ordenou a minha prisão, em Abril de 2018, depois de uma condenação confirmada em segunda instância, seria tratado como um fugitivo. Para desmascarar as mentiras e demonstrar que Moro é um canalha, fiquei, em vez de escolher o exílio», afirmou Lula, no sábado, 9, em frente à sede do Sindicato Metalúrgico de São Bernardo do Campo, em São Paulo.
Um juiz decretou na véspera a libertação do ex-presidente, depois do Supremo Tribunal Brasileiro ter aprovado o direito dos presos, com condenação em segunda instância, poderem em liberdade apelar até esgotar todos os recursos legais.
Lula encontrava-se detido na sede da Polícia Federal da cidade de Curitiba, no sul do país, onde cumpria uma pena de oito anos e 10 meses, por alegada corrupção e lavagem de dinheiro, acusações que sempre negou e reitera que resultam de perseguição política e judicial.
Quando foi libertado, o antigo sindicalista e fundador do Partido dos Trabalhadores (PT) brasileiro agradeceu aos apoiantes que nunca o abandonaram («vocês são o alimento da democracia que eu necessitava para resistir à maldade»), que lhe permitiram «resistir para lutar contra o lado podre do Estado, da Polícia Federal, do Ministério Público, da Justiça». E garantiu que continuará a lutar pelo povo brasileiro.
Logo ali, dirigiu as primeiras críticas a Moro e também a Deltan Dallagnol, procurador responsável pela operação anti-corrupção Lava Jato. «Trabalharam para criminalizar a esquerda, a Lula e ao PT», acusou. E considerou que «não encarceraram um homem, eles tentaram matar uma ideia, mas uma ideia não desaparece».
Sobre o actual presidente brasileiro, qualificou-o de «mentiroso» e garantiu que tem vontade de mostrar que «este país pode ser muito melhor com um governo que não minta tanto como Bolsonaro no Twitter».
Em São Bernardo do Campo, um dia depois de sair em liberdade, Lula criticou Moro, o acutal ministro que enquanto magistrado o condenou, e a operação Lava Jato. Disse não ter medo das ameaças que lhe fazem na televisão e admitiu não poder ver o governo de Jair Bolsonaro «destruindo o país que construímos». Insistiu que «se trabalharmos bem, em 2022 a esquerda que Bolsonaro tanto teme derrotará a extrema-direita». E anunciou que dentro de cerca de 20 dias fará uma intervenção ao povo brasileiro.
Uma vitória contra a injustiça
O PCP expressa a sua satisfação pela libertação do ex-presidente Lula da Silva, «injustamente preso desde Abril de 2018 na sequência de um processo eminentemente político, parte integrante do golpe de Estado institucional que conduziu à destituição da legítima presidente Dilma Rousseff e ao impedimento de Lula da Silva de concorrer às eleições presidenciais».
Numa nota do seu Gabinete de Imprensa, difundida no dia 8, o PCP «saúda Lula da Silva e todas as forças democráticas brasileiras que, tendo alcançado agora uma importante vitória, prosseguem a luta pela reposição da justiça e em defesa da liberdade e da democracia, com a exigência do fim da perseguição política ao ex-presidente do Brasil».
Escreve o PCP na nota que «a libertação de Lula da Silva constitui um sério revés na estratégia golpista e no plano anti-democrático, anti-social e anti-patriótico das forças reaccionárias brasileiras e do imperialismo e, simultaneamente, um estímulo à luta das forças progressistas, democráticas e patrióticas do Brasil em defesa dos direitos políticos, sociais e económicos do seu povo, por um projecto de progresso social e de afirmação soberana».