Professores de Ontário aprovam greve
Mais de 80 mil professores das escolas públicas de Ontário, no Canadá, autorizaram o seu sindicato, a Federação dos Professores das Escolas Primárias de Ontário (ETFO, na sigla inglesa), a partir para a greve. Em causa está a decisão do governador conservador, Doug Ford, de cortar o orçamento do Ministério da Educação em mais de mil milhões de dólares: o maior corte de sempre.
Nos motivos para paralisar as escolas, os professores sublinham ainda o aumento da dimensão das turmas para 24 alunos, o que se traduzirá, no desemprego de 10 mil professores, e a famosa Lei 124, que limita os aumentos na função pública a um por cento ao ano, abaixo dos dois por cento em que se cifra, actualmente, a inflação.
A decisão de partir para greve, que contou mais de 98 por cento de votos favoráveis, ilustra a crescente luta, não só dos professores, mas da classe trabalhadora da província canadiana. Desde que tomou posse, Doug Ford lançou uma implacável ofensiva austeritária sobre a Saúde pública, a Segurança Social e o acesso dos trabalhadores mais pobres à Justiça, para além de ter jizado um plano para limitar o direito à greve.
Desde então, têm crescido, em toda a província, o número de protestos, manifestações e greves, de que se destacam as lutas dos estudantes e dos funcionários públicos, 55 mil dos quais, no mês passado, também votaram favoravelmente uma autorização para que o seu sindicato parta para a greve.
Já em Vancouver, na Colúmbia Britânica, merece destaque a greve que 5000 trabalhadores da empresa de transportes fluviais SeaBus mantêm desde dia 1 de Novembro para reivindicar aumentos salariais e exigir o fim da precariedade que lastra na empresa.
O processo de intensificação de luta que dá os primeiros passos no país da América do Norte reflecte o esgotamento de duas décadas da política de «contenção salarial», que se traduziu numa tendência consistente para o aumento dos níveis de pobreza e das desigualdades, bem como na concentração da riqueza em cada vez menos mãos.