Professores de Ontário aprovam greve

António Santos

Mais de 80 mil pro­fes­sores das es­colas pú­blicas de On­tário, no Ca­nadá, au­to­ri­zaram o seu sin­di­cato, a Fe­de­ração dos Pro­fes­sores das Es­colas Pri­má­rias de On­tário (ETFO, na sigla in­glesa), a partir para a greve. Em causa está a de­cisão do go­ver­nador con­ser­vador, Doug Ford, de cortar o or­ça­mento do Mi­nis­tério da Edu­cação em mais de mil mi­lhões de dó­lares: o maior corte de sempre.

Nos mo­tivos para pa­ra­lisar as es­colas, os pro­fes­sores su­bli­nham ainda o au­mento da di­mensão das turmas para 24 alunos, o que se tra­du­zirá, no de­sem­prego de 10 mil pro­fes­sores, e a fa­mosa Lei 124, que li­mita os au­mentos na função pú­blica a um por cento ao ano, abaixo dos dois por cento em que se cifra, ac­tu­al­mente, a in­flação.

A de­cisão de partir para greve, que contou mais de 98 por cento de votos fa­vo­rá­veis, ilustra a cres­cente luta, não só dos pro­fes­sores, mas da classe tra­ba­lha­dora da pro­víncia ca­na­diana. Desde que tomou posse, Doug Ford lançou uma im­pla­cável ofen­siva aus­te­ri­tária sobre a Saúde pú­blica, a Se­gu­rança So­cial e o acesso dos tra­ba­lha­dores mais po­bres à Jus­tiça, para além de ter ji­zado um plano para li­mitar o di­reito à greve.

Desde então, têm cres­cido, em toda a pro­víncia, o nú­mero de pro­testos, ma­ni­fes­ta­ções e greves, de que se des­tacam as lutas dos es­tu­dantes e dos fun­ci­o­ná­rios pú­blicos, 55 mil dos quais, no mês pas­sado, também vo­taram fa­vo­ra­vel­mente uma au­to­ri­zação para que o seu sin­di­cato parta para a greve.

Já em Van­couver, na Co­lúmbia Bri­tâ­nica, me­rece des­taque a greve que 5000 tra­ba­lha­dores da em­presa de trans­portes flu­viais Se­aBus mantêm desde dia 1 de No­vembro para rei­vin­dicar au­mentos sa­la­riais e exigir o fim da pre­ca­ri­e­dade que lastra na em­presa.

O pro­cesso de in­ten­si­fi­cação de luta que dá os pri­meiros passos no país da Amé­rica do Norte re­flecte o es­go­ta­mento de duas dé­cadas da po­lí­tica de «con­tenção sa­la­rial», que se tra­duziu numa ten­dência con­sis­tente para o au­mento dos ní­veis de po­breza e das de­si­gual­dades, bem como na con­cen­tração da ri­queza em cada vez menos mãos.




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