Greve geral no Chile exige nova Constituição
Concentrações e marchas em dezenas de cidades do Chile tiveram lugar na terça-feira, 12, em apoio à greve geral convocada pela Mesa de Unidade Social. Grevistas e manifestantes exigem uma nova Constituição, uma Assembleia Constituinte, aumentos de salários e pensões e a eliminação das desigualdades sociais, clamam por dignidade e equidade para todos os chilenos e há muitos que reclamam a demissão do presidente Sebástian Piñera.
O comité de greve foi constituído por representantes de dezenas de importantes sindicatos (portuários, mineiros, de transportes e outros sectores produtivos) e organizações estudantis, feministas, profissionais e populares.
Em Santiago do Chile, milhares de pessoas concentraram-se na Praça Baquedano – epicentro do levantamento popular iniciado a 18 de Outubro –, rebaptizada pelos chilenos como Praça da Dignidade, com bandeiras nacionais, mapuches e até de clubes desportivos, exibindo cartazes com exigências e fazendo soar panelas.
Manifestações semelhantes ocorreram em cidades como Valparaíso, Viña del Mar, Concepción, Temuco, Antofagasta, Talca, Punta Arenas e outras.
Tanto na capital como em outras localidades, perante fortes dispositivos policiais, houve bloqueios em avenidas e estradas, convocando para a greve nacional todos os sectores económicos e sociais.
O Congresso Nacional suspendeu no dia da greve as actividades da Câmara de Deputados e do Senado.
Comunistas apoiam
manifestações populares
O Partido Comunista do Chile (PCC) defende uma nova Constituição para o país, redigida por uma Assembleia Constituinte cujos integrantes sejam eleitos por votação popular.
Numa declaração na segunda-feira, 11, os comunistas rejeitaram as manobras do presidente Piñera, que prometeu fazer alterações constitucionais «escamoteando a soberania do povo», propondo um Congresso Constituinte, ou seja, a actual Câmara de Deputados e o actual Senado.
Para o PCC, «sem nova Constituição não vale a pena convocar eleições antecipadas do Congresso, que teria os mesmos vícios do actual». O que importa é «escutar a exigência cidadã» e chegar a acordo, a curto prazo, para o plebiscito popular sobre o mecanismo de elaboração da nova Constituição. «Prolongar uma determinação que já está decidida pelo povo só pode ser causa de maiores protestos e de um recrudescimento da repressão», entendem os comunistas.
O PCC considera «justo e necessário continuar a apoiar as manifestações, greves e protestos pacíficos, enquanto o governo persistir na sua posição obstrucionista do mandato cidadão maioritário».
Já anteriormente, no dia 5, a Unidade para a Mudança, integrada pelo PCC, pela Federação Regionalista Verde Social e pelo Partido Progressista do Chile, tinha expressado o apoio total às exigências do povo do Chile nas suas manifestações e protestos de massas.