EUA abandonam e destroem bases militares suas na Síria

AGRESSÃO Os EUA anunciaram a retirada de parte das suas tropas da Síria e colocaram-nas no leste do Iraque. A Turquia lançou uma operação militar no noroeste sírio e, após acordo com Washington, suspendeu a agressão.

A Rússia tenta promover um processo de solução política na Síria

Forças norte-americanas estão a abandonar algumas das suas bases militares ilegalmente instaladas em território da Síria, confirmaram meios jornalísticos em Damasco. Imagens transmitidas pela televisão estatal síria, no dia 20, mostraram um comboio de carros blindados e camiões das tropas de ocupação dos EUA, apoiadas por helicópteros, a retirar-se para o vizinho Iraque. Outros 60 veículos militares deixaram a base aérea de Sareen, na província de Alepo, informou o diário Al-Watan.

Na zona de Qasser Yelda, a noroeste da cidade de Hasakeh, soldados sírios entraram numa base militar norte-americana abandonada e içaram a bandeira nacional da Síria. As tropas de Washington abandonaram e destruíram a base de Quleib, que contava com uma pista de aterragem para aviões de carga militar e helicópteros, na zona de Tal Baidar. As forças de ocupação dos Estados Unidos da América minaram vários dos seus quartéis e destruíram um dos seus radares na estrada entre Tel Temer e Qamishli, no extremo noroeste da Síria. Os sírios indicam que, até agora, os EUA abandonaram cinco bases militares nas províncias de Alepo e Raqa, além de outras instalações.

Entretanto, o presidente da Turquia, Recep Erdogan, anunciou que adoptará «as medidas necessárias» sobre a sua ofensiva militar no noroeste da Síria depois de reunir-se com o seu homólogo russo, Vladimir Putin, na cidade russa de Sochi, o que estava previsto para terça-feira, 22.

O Kremlin anunciou que está pronto a facilitar o diálogo entre Damasco e Ankara, promovendo o processo de solução política na Síria, que resiste e defende a sua soberania depois de oito anos de guerra imposta pelos EUA e seus aliados ocidentais e do Médio Oriente.

CPPC e MPPM
condenam invasão

O Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) repudiou e condenou com veemência a nova agressão contra a Síria perpetrada pela Turquia, a pretexto da criação duma denominada «zona tampão de segurança» e do denominado «combate contra o ISIS». Recorda o CPPC que a Turquia – que é membro da NATO –, assim como os EUA e seus aliados, «financiaram, armaram, treinaram e continuam a proteger dezenas de milhares de mercenários armados, tendo como objectivo desencadear uma brutal e dita “mudança de regime” na República Árabe Síria. Dita “mudança de regime” que não lograram concretizar, e que transformam agora na tentativa de, pela sua intervenção militar directa, impor a partição da Síria».

O CPPC exige a retirada das forças de agressão, designadamente da Turquia, dos EUA e de Israel (que ocupa os montes Golã desde 1967) e que estão ilegalmente na Síria. Expressa a sua solidariedade para com a Síria e o seu povo, assim como para com as forças da paz e anti-imperialistas na Turquia, incluindo o Conselho Nacional da Paz Sírio e o Comité da Paz da Turquia.

E considera que «a paz na Síria só pode ser alcançada pela defesa e salvaguarda da soberania, independência e integridade territorial da Síria, no respeito pelos princípios da Carta da ONU e do direito internacional, nomeadamente do direito do povo sírio decidir soberana e livremente o seu futuro».

Também o Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM) condenou firmemente a invasão em curso do território sírio pela Turquia.

«Esta invasão, infelizmente, está longe de ser caso excepcional. Trata-se antes do mais recente episódio da guerra imposta à Síria desde há oito anos, visando a sua fragmentação e a liquidação do seu papel no apoio ao povo palestino, na oposição ao sionismo e aos desígnios imperiais na região», afirma o MPPM.

Realça que «quaisquer que sejam os pretextos proclamados pela Turquia para a actual invasão, quaisquer que sejam as razões invocadas para a condenar por aqueles mesmos que têm participado activamente na agressão, o que se exige no momento presente é o respeito do Direito Internacional e da Carta da ONU e o fim das violações da soberania da Síria».

O MPPM reafirma o princípio da defesa da independência, soberania e integridade territorial da Síria – incluindo a retirada de Israel dos Montes Golã sírios –, o que implica a saída das tropas de todos os países que aí se encontram sem o consentimento do governo sírio. «Só ao povo da Síria cabe decidir dos destinos do seu país», insiste.

O MPPM «manifesta a sua solidariedade para com o povo sírio e todos os povos do Médio Oriente que combatem pela paz, pela liberdade, pela independência e pela soberania dos seus países».




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