A linha circular e a diferença da CDU

Manuel Gouveia

O fu­turo da Rede do Me­tro­po­li­tano de Lisboa é um ex­ce­lente exemplo de como a CDU é di­fe­rente das res­tantes forças po­lí­ticas. Grosso modo, a dis­cussão trava-se hoje entre fazer obras para criar uma linha cir­cular entre o Campo Grande e o Cais Sodré (trans­for­mando a Linha Ama­rela numa linha se­cun­dária Te­lheiras - Odi­velas) ou ex­pandir o Me­tro­po­li­tano para Al­cân­tara e para a Ci­dade de Loures.

O PS em Loures é pela ex­pansão a Loures, em Al­cân­tara a Al­cân­tara, em Odi­velas e Te­lheiras contra a Linha Cir­cular, e o resto do PS, aquele que exe­cuta as de­ci­sões, na Câ­mara Mu­ni­cipal de Lisboa e no Go­verno, é contra a ex­pansão a Loures, con­tinua a adiar a ex­pansão a Al­cân­tara e está a avançar para a Linha Cir­cular.

O BE é contra a Linha Cir­cular em todo o lado, menos onde o seu voto im­pe­diria a sua con­cre­ti­zação, pois aí está preso pelo pe­louro a tempo in­teiro. Ou seja, na Câ­mara de Lisboa onde o PS não tem mai­oria ab­so­luta e ne­ces­sita de um voto, o BE dá-lhe esse voto. O mesmo ve­re­ador es­creve no Pú­blico um ar­tigo contra a Linha Cir­cular, e vota três vezes na Câ­mara para aprovar a dita opção que re­cusa.

Só a CDU de­fende a ex­pansão a Loures e Al­cân­tara em todo o lado: em Loures e em Al­cân­tara, desde logo, mas também no resto da ci­dade de Lisboa, na Ama­dora ou em Odi­velas, em toda a Área Me­tro­po­li­tana e no plano na­ci­onal. A CDU tem uma po­sição que de­fende e que se re­flecte con­se­quen­te­mente em todas as suas vo­ta­ções.

E a essa con­sequência, cha­memos-lhe po­lí­tica, as­socia-se uma outra, ainda mais im­por­tante: é a prá­tica con­se­quente, na me­dida em que de­nuncia, luta, es­cla­rece, mo­bi­liza contra o des­per­dício de 260 mi­lhões numa obra que vai deixar o Metro mais pe­queno e pior; e luta, es­cla­rece e mo­bi­liza a favor de duas ex­pan­sões, a Al­can­târa e a Loures, que tra­riam mi­lhares de novos utentes ao sis­tema, que le­va­riam o trans­porte fer­ro­viário pe­sado ao único con­selho da AML Norte sem li­gação fer­ro­viária pe­sada e à única parte da ci­dade de Lisboa des­li­gada da rede de Metro.




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