Cem mil por Abril
A Direcção-geral do Património Cultural anunciou que o Museu Nacional Resistência e Liberdade atingiu no passado dia 17 de Setembro os cem mil visitantes, isto menos de cinco meses depois da inauguração, no dia 25 de Abril, da primeira fase daquele Museu.
Quanto mais força tiver a CDU mais defendida estará a democracia
É um número impressionante, tanto mais que falamos de um Museu situado fora da área da grande Lisboa. Um número que diz muito da potencialidade daquele importantíssimo recurso cultural e de memória histórica que deu este ano os seus primeiros passos.
É compreensível, e positivo, o entusiasmo do Governo com a atracção que o Museu Nacional Resistência e Liberdade está a demonstrar, bem patente no facto de se ter eleito a Fortaleza de Peniche, e de um modo mais abrangente a cidade de Peniche, para realizar um conjunto de actividades no âmbito das Jornadas Europeias do Património.
É igualmente positivo que tais jornadas estejam a ser desenvolvidas em cooperação com alguns daqueles que sempre se bateram pela preservação da memória histórica da luta contra o fascismo e pela liberdade, nomeadamente a União de Resistentes Antifascistas Portugueses, que está a co-organizar um roteiro dedicado a valorizar o papel que a população de Peniche teve no apoio aos presos políticos e suas famílias e na luta contra o regime fascista que também oprimia violentamente aquela população e lhes retirava a sua Fortaleza para a fazer campo de terror.
Aquilo que está a acontecer em Peniche tem um valor enorme para a defesa dos valores da liberdade, da democracia e da preservação da verdade e da memória histórica da resistência ao fascismo. Tem uma outra dimensão importantíssima pela qual sempre lutámos, devolver definitivamente a Fortaleza de Peniche ao povo, desde logo ao povo de Peniche.
A forma como aquela população e o povo português estão a abraçar este projecto, visitando-o, usufruindo dele, participando em iniciativas e divulgando para todo o País e para os quatro cantos do mundo o que ali está a nascer é algo de notável e um dos mais belos actos de justiça para com todos aqueles que deram tudo de si – alguns a própria vida – para que Portugal viva hoje em liberdade e em democracia.
Defender a democracia
Comemorar os cem mil visitantes do Museu Nacional Resistência e Liberdade da Fortaleza de Peniche é em si uma forma, bela, de defender a democracia. É uma forma de lutar contra todos os intentos que, mais ou menos disfarçados, continuam a tentar branquear e recuperar a brutal ditadura que oprimiu e explorou o povo português durante meio século. É uma forma de dizer às novas gerações que o Mundo não está condenado a novas páginas negras de História.
Cem mil visitantes é uma grande vitória. Uma vitória de Abril e do povo português. E, é preciso dizê-lo, uma vitória de todos aqueles que naquele Outono de 2016, perante a decisão deste mesmo Governo do PS, se mobilizaram, indignaram, lutaram para impedir a instalação na Fortaleza de Peniche de uma unidade hoteleira que iria nascer naqueles edifícios onde, durante décadas, os comunistas e outros democratas foram encarcerados por lutarem pela liberdade para o seu povo.
Aquilo que agora está a nascer e a acontecer dentro daquelas muralhas e na cidade de Peniche é em si mesmo uma lição de que vale a pena lutar e que é possível avançar. É igualmente uma lição de que a força do PCP e da CDU conta muito para fazer avançar o País e para defender Abril e os seus valores. Mas atenção, há muito por fazer! Para que o Museu Nacional Resistência e Liberdade seja uma realidade na plenitude do que está programado é absolutamente indispensável que, no próximo dia 6, a CDU tenha mais força. Porque, quanto mais força tiver a CDU, mais defendida estará a democracia, mais futuro terá Abril. Que não se tenha dúvidas.