O PCV quer construir uma ampla aliança anti-imperialista e antifascista
A forte pressão política, económica, diplomática e militar que o imperialismo exerce sobre a República Bolivariana da Venezuela visa mais do que a mera mudança de regime, pretendendo a transformação do país num Estado falhado, à semelhança do Iraque, da Líbia e do Afeganistão após as invasões dos EUA e da NATO. Quem o afirma é Carolus Wimmer, do Bureau Político do Partido Comunista da Venezuela (PCV) e responsável pelo seu Departamento Internacional.
Nesta situação, adianta o dirigente comunista, a táctica central do PCV está concentrada na luta anti-imperialista, «que desde 2017 tem uma nova faceta, a de ser também antifascista». Como explicou ao Avante! Carolus Wimmer, as «forças internas do imperialismo não são da direita tradicional, mas organizações e partidos fascistas». São figuras desta oposição fascista Juan Guaidó e Leopoldo López (formado nos EUA e membro da Fundação Republicana, ala mais conservadora do Partido Republicano), que não passam de «marionetas do imperialismo».
Perante tão fortes movimentações para destruir o Estado venezuelano, o Partido Comunista está empenhado na construção da mais ampla aliança «patriótica, democrática, anti-imperialista, antifascista e popular», capaz de evitar o confronto militar aberto com o imperialismo ou uma guerra civil por este provocada. Sem a mobilização popular, a união cívico-militar e a solidariedade internacional, aliás, os «gringos já estariam na Venezuela». Para o PCV é fundamental criar uma «frente mundial anti-imperialista e antifascista».
Reforçar alianças
Paralelamente à dimensão anti-imperialista da sua acção (na qual converge com o partido governante, o PSUV), os comunistas venezuelanos esforçam-se para erguer uma «aliança revolucionária» que possibilite o salto qualitativo revolucionário no sentido do socialismo. Aliás, a caracterização de «socialista» para o processo político venezuelano iniciado em 1998 com a vitória eleitoral de Hugo Chávez é uma das mais relevantes discordâncias ideológicas entre o PCV e o PSUV.
Porém, salienta Carolus Wimmer, se o socialismo «não é realidade actualmente na Venezuela, ele está enraizado na consciência das massas»: milhões de venezuelanos desejam o socialismo, «embora possam não ter claro o que é nem como o alcançar», e as Forças Armadas Nacionais Bolivarianas têm no seu lema referências à «Pátria socialista».
Não descartando nenhuma responsabilidade no processo de luta na Venezuela, o PCV concentra-se no reforço do trabalho de massas, principalmente junto da classe operária e dos camponeses. No campo, aliás, trava-se uma intensa luta de classes entre latifundiários e camponeses e o PCV «está na frente dessa luta», valoriza o dirigente. Só em 2018, cinco militantes seus foram aí assassinados.
Independentemente das críticas que têm relativamente a diversas opções do governo, os comunistas venezuelanos assumem ser sua responsabilidade «que as alianças se fortaleçam», tanto no interior do país como a nível internacional. Defender o muito que foi conquistado nos últimos 20 anos e lutar para ampliar os direitos dos trabalhadores e do povo são prioridades do PCV.