China responderá se EUA instalarem mísseis na Ásia

TENSÃO Depois das decisões dos EUA de agravar a guerra comercial com a China e de anunciar a instalação de mísseis na Ásia, aumenta a tensão entre Washington e Pequim, com repercussões mundiais.

Pequim avisa aliados de Washington para agir com «prudência»

A China advertiu que aplicará contra-medidas se os Estados Unidos instalarem mísseis terrestres de alcance intermédio na Ásia e avisou os aliados de Washington na região das repercussões, se permitirem essas armas nos seus territórios.

O director do Departamento de Controlo de Armas do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Fu Cong, precisou que o gigante asiático não ficará de braços cruzados e será obrigado a responder a qualquer iniciativa militar norte-americana na região.

Fu também alertou os outros países do continente, especialmente o Japão, a Coreia do Sul e a Austrália, a agir com «prudência» e a não permitir a colocação de mísseis norte-americanos nos seus territórios.

As autoridades chinesas respondem assim a declarações do secretário de Defesa norte-americano, Mark Esper, que manifestou o desejo de implantar «o mais cedo possível» na Ásia novas armas convencionais de médio alcance.

Embora Fu não tenha dado pormenores sobre a resposta da China no caso desses planos dos EUA avançarem, disse que «todas as opções estarão sobre a mesa».

Antes de partir para uma viagem pela Austrália, Nova Zelândia, Japão, Mongólia e Coreia do Sul, no sábado, 3, Esper mostrou-se a favor de instalar esse armamento na região, dentro de «alguns meses».

Guerra comercial

As empresas importadoras chinesas de produtos agrícolas suspenderam as suas compras no mercado dos EUA face ao anúncio de novas tarifas aplicadas por Washington a produtos importados da China com efeito a partir de 1 de Setembro.

De acordo com o Ministério do Comércio chinês, a Comissão de Tarifas Aduaneiras do Conselho do Estado decidiu manter as tarifas aplicadas a bens agrícolas norte-americanos em resposta à recente medida de Washington de elevar em 10 por cento as taxas aduaneiras a bens exportados pela China avaliados em 300 mil milhões de dólares.

O Ministério do Comércio chinês considerou que a subida de tarifas decidida pela Casa Branca é «uma grave violação» das decisões da reunião entre os presidentes Xi Jinping e Donald Trump durante a cimeira do G20 no Japão.

O texto diz que a China é um «destino prometedor» para os produtos agrícolas norte-americanos de alta qualidade e instou Washington a implementar «seriamente» o consenso alcançado em Osaka.

Assiste-se, assim, ao agravamento da guerra comercial entre as duas potências, cujos efeitos transcendem já as suas fronteiras, com efeitos cambiais – o yuan superou a barreira das sete unidades por dólar, o nível mais baixo da moeda chinesa desde 2008.

O Banco Popular da China confia em assegurar a estabilidade financeira e manifestou a garantia de que dispõe de políticas e ferramentas para manter sem grandes alterações a taxa de câmbio do yuan.

Uma das acusações da Casa Branca na guerra comercial contra a China é a de que Pequim «manipula» a sua divisa, desvalorizando-a para ganhar competitividade nas exportações.




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