Centro histórico de Évora voltou a ser o palco da Bienal Internacional de Marionetas

António Gavela

A BIME – Bienal Internacional de Marionetas de Évora, organizada pelo CENDREV – Centro Dramático de Évora em parceria com a Câmara Municipal de Évora, voltou este ano, em Junho, após seis anos de interrupção, por falta de apoios, questão ultrapassada nesta 14.ª edição, mas com financiamento inferior ao esperado. Evento só foi possível pela muita persistência do CENDREV, o apoio de diversas entidades e um relevante contributo da Câmara Municipal, a BIME acolheu 27 companhias, nacionais e estrangeiras, realizou mais de 70 espectáculos, nas ruas da cidade e no Teatro Garcia de Resende, para cerca de 16 000 espectadores. A exposição “Bonecos de Santo Aleixo – Maravilhosa Criação do Imaginário Popular Alentejano” que o PCP organizou, em 2018, na Festa do Avante e que acolheu uma dezena de espectáculos dos bonecos e visitas guiadas a esta mostra, com um êxito assinalável, esteve patente ao público, durante a bienal, junto ao Teatro Garcia de Resende.

Os Bonecos de Santo Aleixo são os verdadeiros anfitriões da bienal, iniciada em 1987, porque são o resultado, natural, do trabalho iniciado em 1980, quando esta família de títeres tradicionais foi acolhida, em Évora, e aí encontrou a sua casa e uma família de actores que os recuperou e com eles anda pelo mundo fora, tendo, nessa data, o apoio inestimável de Mestre Talhinhas, que trabalhou com os bonecos mais de quarenta anos.

A BIME é uma ocasião extraordinária em que marionetistas e público se juntam para celebrar o que resiste à passagem do tempo, o passado e o futuro das expressões tradicionais de todo o mundo e os modos de transmitir e viver a cultura, para lá das convenções mais ou menos eruditas e dos espaços consagrados para o efeito. Ao que acresce o facto do Centro histórico de Évora ser um grande palco ao ar livre, onde se retoma a tradição popular, em que os espectáculos de marionetas eram itinerantes e serviam de pretexto para reuniões da comunidade, para o encontro de gerações e para a partilha muito animada de saberes e opiniões. Esta tradição de ocupação do espaço público é um aspecto que a bienal tem preservado e se tem esforçado por garantir, com espectáculos para o público de todas as idades, respondendo, naturalmente, a uma maneira de entender e fazer cultura, tornando-a acessível, indo ao encontro das pessoas, criando momentos de intensa partilha e de aproximação entre a comunidade e os artistas, num modo de dizer que a cultura é de todos e para todos.

A BIME é marcante para a história da cultura na cidade de Évora e contribuiu para a construção de um modo de viver e fazer cultura na região. É um ponto de encontro para os marionetistas de diversas partes do mundo e a programação dedica especial atenção às expressões tradicionais, à salvaguarda e divulgação desse importante património que são as representações populares de marionetas do mundo inteiro. Estas são razões suficientes que sustentam a possibilidade de Évora poder ser, no futuro, um Centro Europeu da Marioneta, até pela forte ligação dos bonecos à Europa, o que coloca a necessidade da criação da Casa dos Bonecos, para potenciar actividades diversas e afirmar a importância deste património vivo, no País e no estrangeiro.

O êxito de todas as bienais consolidou a sua importância cultural e patrimonial, sendo evidente que a BIME deve continuar a realizar-se, sem interrupções.




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