Turquia abre brecha no seio da NATO

AMEAÇAS A Turquia, que tem o segundo maior exército da NATO, adquiriu sistemas anti-mísseis russos S-400, apesar das ameaças da Casa Branca de excluir Ancara do programa de caças F-35 norte-americanos.

Os EUA já ameaçam a Turquia de sanções

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, declarou que o acordo com a Rússia sobre os S-400 é «o mais importante» na história do seu país. O dirigente turco destacou que, com a compra dos sistemas anti-mísseis russos, Ancara «não se prepara para uma guerra» mas pretende «garantir a paz e a segurança nacional».

Erdogan afirmou que as forças armadas turcas terão controlo total sobre os S-400 e que o acordo «é um processo de associação e avanço da produção conjunta». O contrato de fornecimento à Turquia de quatro sistemas russos S-400 Triumf por um valor de cerca de 2500 milhões de dólares foi assinado em 2017.

As entregas dos S-400 à Turquia, no quadro do acordo entre Moscovo e Ankara, começaram na sexta-feira, 12. Sete aviões russos transportaram partes dos sistemas para a base aérea de Murted, próxima da capital turca.

Segundo Erdogan, cerca de 100 especialistas turcos foram enviados à Rússia para receber formação nos sistemas anti-mísseis e no futuro o seu número pode multiplicar-se por 10. O proceso de entrega do armamento deverá terminar em Abril de 2020.

«A aquisição dos S-400 influenciará fortemente a NATO» e a aliança «deveria estar feliz por isso», realçou o presidente turco. Explicou que «a Turquia é o maior apoio da NATO na sua região e, além disso, é um dos países que paga as suas contribuições com pontualidade». Para ele, «se um país tão cumpridor como a Turquia se fortalece na área da segurança depois de ter recebido os S-400», isso «fortalecerá também a própria aliança».

Os Estados Unidos tinham advertido reiteradamente a Turquia de que se não cancelasse a compra dos S-400 seria excluída do programa de caças polivalentes F-35. A Casa Branca poderia agora anunciar sanções contra a Turquia, sua aliada no âmbito da NATO.

«Até agora pagámos 1400 milhões de dólares pelos F-35. Se a Turquia sair do programa, o preço aumentará sete ou oito milhões por avião. Essa não é uma decisão fácil de tomar. Terão que pagar-nos», comentou Erdogan, a propósito.

 



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