Forte greve exige regresso dos CTT à esfera pública

LUTA A «greve geral dos CTT» de dia 5 teve uma adesão a rondar os 70 por cento. Para o SNTCT, que convocou a paralisação, esta participação demonstra que os trabalhadores «estão dispostos a continuar a luta».

Greve reclama condições para CTT prestarem serviço de qualidade

Em comunicado de dia 3, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Correios e Telecomunicações (SNTCT) reafirmava as exigências que presidiram à greve: renacionalização dos CTT; admissão dos trabalhadores necessários para que a qualidade e universalidade do serviço sejam repostas; melhoria das condições de trabalho e fim das pressões e castigos a que muitos trabalhadores estão sujeitos diariamente; reposição do tempo de serviço que foi cortado entre 2010 e 2013; salários justos e valorização profissional.

A 19 de Junho, informando da convocação da greve, o sindicato explicava mais profundamente o que motivava tal decisão. Começava por apontar o processo de privatização dos CTT, iniciado em 2013, como principal gerador de grande parte dos problemas que existem no serviço e nos locais de trabalho. Entre eles aponta a diminuição de centenas de postos de trabalho e o encerramento de estações e postos, a realização de horas extraordinárias sem o devido pagamento, uma deficiente gestão dos serviços, a exigência de pressões e ameaças sobre os trabalhadores e a deterioração do serviço prestado pela empresa.

Ao mesmo tempo, o SNTCT afirma que entre 2011 e 2013 a contagem do tempo de serviço para efeitos de progressões e promoções foi congelado, não tendo sendo ainda reposto. Acresce o facto de os trabalhadores terem sido privados do pagamento das suas diuturnidades durante um ano e meio.

Por salários e direitos

A falta de condições foi outra das questões apontadas. O material utilizado pelos trabalhadores tem vindo a deteriorar-se, o que dificulta a realização dos seus serviços. Em simultâneo, as ameaças e metas exigidas acrescem à pressão já sentida, o que tem empurrado cada vez mais os trabalhadores para situações de doença.

Quanto aos salários, mantiveram-se praticamente estagnados ao longo dos últimos sete anos: enquanto que a taxa de inflação subiu cerca de 11,85 por cento, os salários nos CTT cresceram apenas 4,25, o que significa uma grande perda do poder de compra dos seus funcionários.

Das exigências constavam ainda a contratação de mais trabalhadores e a implementação de todas as condições necessárias para que os CTT possam repor a qualidade dos seus serviços. O regresso da empresa a controlo público é também reclamada, lembrando o sindicato que há mais de um ano entregou na Assembleia da República uma petição nesse sentido.




Mais artigos de: Trabalhadores

Manifestação nacional da CGTP-IN ontem em Lisboa

À hora do fecho desta edição iniciava-se em Lisboa uma manifestação nacional convocada pela CGTP-IN pela valorização do trabalho e dos trabalhadores, pela revogação das normas gravosas da legislação laboral e contra as propostas do Governo PS que a pioram. Simultaneamente, o País continua marcado pela injustiça na...

Sindicatos da cortiça avançam hipótese de nova luta

Várias organizações sindicais reagiram, no início da semana, ao aumento salarial anunciado pela Associação Portuguesa da Cortiça (APCOR), de apenas 56,8 cêntimos diários. Esta foi a resposta patronal ao processo negocial com a Federação Portuguesa dos Sindicatos da Construção, Cerâmica e vidro (FEVICCOM), o Sindicato dos...

Greve aos sábados

Os trabalhadores da PSA/Peugeot/Citroën de Mangualde avançaram com um pré-aviso de greve aos sábados até ao final do ano. Garantir a manutenção de dois dias de descanso consecutivos e a não realização de mais de oito horas diárias de trabalho, bem como o fim da repressão na empresa, são os principais objectivos da...