PAN(tominas)

Jorge Cordeiro

Não é da expressão artística de comunicar por gestos, pensamentos ou perspectivas, que o termo é para aqui chamado, mas sim, desse outro significado que, em qualquer dicionário da língua portuguesa, quem se der ao trabalho de procurar, encontrará. Não se recorrerá, ainda que fosse legítimo fazê-lo, ao que de falso tem a pretensa dimensão ambiental de que o PAN se reclama, a facilidade com que usurpa iniciativas neste domínio que pela mão de outros, quer do PEV quer do PCP, fizeram caminho e tiveram consagração ao longo dos anos. Nem se invocará a leviandade com que o seu principal rosto decreta que qualquer chimpanzé tem maior dimensão cognitiva face a humanos, em algumas circunstâncias, até porque lá saberá o que o terá induzido a tal conclusão.

Vem a coisa à colação tão só porque inundaram as redes sociais de impropérios contra a edilidade da Cidade da Praia porque esta procederá ao abate de caninos. A arrogância nem sequer os leva a ajuizar das possíveis razões porque não se adopta solução alternativa. Para lá de não terem dado conta que Cabo Verde é um Estado soberano, não sujeito às pulsões totalitárias e fundamentalistas do PAN, a cruzada revela muito do que inunda o seu pensar e a sua prática. Estando por saber se há alguma relação inspiradora da sua doutrina com a que emergia em figuras gradas na Alemanha nazi em matérias similares, há algo que, e isso sim, não merece refutação: o PAN, verdadeira polícia de costumes, assenta a sua concepção ideológica na trilogia «punir, multar, prender». Alcançada que está a intrusão por terras de África teme-se que o PAN venha a propor moldura penal para, respondendo a imperfeições que a Natureza comporta, proibir essa selvajaria que leva águias a devorar roedores, leões a dilacerar gazelas, ou crocodilos a banquetear-se com o que «vem à rede».

Para já Cabo Verde que se cuide. Reforce fronteiras, aperte a vigilância costeira não vá o PAN enviar o seu braço armado para aterrorizar o país e população.




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