Oposição golpista apela a intervenção militar dos EUA
VENEZUELA Com cada vez menos expressão e apoio no interior do país, a oposição golpista venezuelana admite já abertamente a possibilidade de uma intervenção militar dos EUA, opção que estes não enjeitam.
Isolados internamente, os golpistas voltam-se para os EUA
O falhanço da última tentativa de golpe de Estado contra o governo legítimo da República Bolivariana da Venezuela, a 30 de Abril, e o evidente fracasso das manifestações por si convocadas nos dias seguintes, que não reuniram mais do que algumas centenas de pessoas, levaram o autoproclamado «presidente interino», Juan Guaidó, a colocar com mais veemência a questão da intervenção militar norte-americana.
Numa entrevista concedida à RTP, transmitida no sábado, 11, o líder golpista garantiu que esta opção, admitida já por diversas vezes pela própria administração dos EUA, sucederá «quando os aliados estiverem dispostos a dar esse tipo de ajuda». Os contactos com as forças armadas norte-americanas ter-se-ão já iniciado. Carlos Vecchio, representante das forças golpistas em Washigton, endereçou um pedido formal de reunião a Craig Faller, chefe do comando militar dos EUA para a América Latina (SouthCom).
Na segunda-feira, 13, com uma cópia da carta de Vecchio na mão, a vice-presidente executiva da República Bolivariana da Venezuela, Delcy Rodríguez, repudiou publicamente a iniciativa de Guaidó e dos seus representantes e garantiu que os planos da oposição golpista estão «condenados ao fracasso».
O jornal digital El Español, insuspeito de simpatias com o governo bolivariano,cita um documento no qual se garante que representantes da Organização dos Estados Americanos (da qual a Venezuela se desvinculou recentemente), do chamado «Supremo Tribunal no exílio» e do governo dos EUA têm já esboçado um plano de intervenção militar no país sul-americano.
Entretanto, em Washington, a polícia iniciou na segunda-feira a retirada forçada dos activistas norte-americanos que, durante semanas, permaneceram no interior da embaixada venezuelana de modo a impedir a sua ocupação pelas forças golpistas. A invasão da missão diplomática venezuelana foi antecedida pelo corte de energia e pela proibição do fornecimento de alimentos a quem se encontrava no seu interior, o que viola a Convenção de Viena. Várias manifestações de apoio aos activistas foram atacadas.