Valeu a pena lutar pelo Ensino Superior Público

JUVENTUDE Apesar do Ensino Superior carecer ainda de uma verdadeira política de esquerda, os avanços conseguidos nestes três anos e meio travaram a obra destruidora do anterior governo e deram resposta às reivindicações estudantis.

O PCP não abdica de concretizar as justas aspiração dos jovens

Esta foi a tónica dominante no encontro que Jerónimo de Sousa manteve ao final do dia de anteontem com estudantes do ES de Lisboa. Numa sala da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova completamente lotada, dirigentes da Juventude Comunista Portuguesa, que promoveu a iniciativa, do movimento associativo (entre os quais da Federação Académica de Lisboa e da Associação Académica de Lisboa) e estudantes, foram os primeiros a usar da palavra.

Fizeram-no para valorizar o fim do executivo PSD/CDS, que só no Ensino Superior Público cortou mais de mil milhões de euros, e a conquista de importantes reivindicações na actual legislatura, resultado da luta dos estudantes e, no plano legislativo, da intervenção e proposta do PCP.

Estudantes e, depois, também o Secretário-geral do Partido, deram nesse âmbito vários exemplos. Do congelamento das propinas ao aumento dos apoios sociais; da possibilidade de entrega de trabalhos em formato digital à contratação de pessoal docente e não docente; da diminuição dos custos dos transportes públicos à construção da residência em Rio Maior e à imposição ao actual Governo minoritário do PS da apresentação de um plano de aumento do número de alojamentos para estudantes.

Os jovens e, posteriormente, Jerónimo de Sousa, notaram contudo que os avanços verificados não iludem os problemas estruturais que permanecem por opção do PS, que ainda no final do mês de Março se uniu a PSD e CDS para chumbar três diplomas, apresentados na Assembleia da República (AR) pelo PCP, visando o aumento dos apoios específicos aos estudantes, o crescimento do financiamento às instituições e o fim do regime fundacional.

«Continuamos a precisar de investimentos em muitas universidades e politécnicos. Continuamos a ter serviços encerrados ou concessionados por falta de trabalhadores. Mantêm-se os atrasos nos pagamentos de bolsas e muitos dos estudantes que delas precisam ficam ainda fora dos critérios. Continua a haver mais de 100 mil estudantes deslocados sem acesso a alojamento público. A precariedade continua a ser a regra entre os bolseiros de investigação científica», denunciou o Secretário-geral do PCP. Isto já depois de os jovens terem alertado para a persistência da falta de transportes públicos e as más condições nas residências e estabelecimentos, a sub-representação dos estudantes nos órgãos académicos e de gestão, a manutenção da possibilidade de aumento das propinas no futuro e, presentemente, o facto de muitas instituições aplicarem taxas e emolumentos incomportáveis.

Por seu lado, Alma Rivera, candidata da CDU ao Parlamento Europeu (PE), criticou a imposição por sucessivos governos da política de direita e pela UE de um sistema elitizado e fragmentado, desigual e crescentemente determinado por interesses privados, manietado na articulação com uma política de progresso soberano do País e com o desenvolvimento integral dos indivíduos, de que o regime fundacional e o processo de Bolonha são instrumentos.

A encerrar o debate e antes de cumprimentar todos os estudantes presentes, Jerónimo de Sousa insistiu nas propostas de que o PCP não abdica para concretizar as justas aspiração dos jovens. E considerando a aproximação a passos largos das eleições para o PE, a 26 de Maio, e para a AR, a 6 de Outubro, alertou que «estão colocadas a todo o povo português, e naturalmente também à juventude, opções decisivas», entre as quais «avançar no direito à educação pública, gratuita e de qualidade até aos mais elevados graus de ensino, ou andar para trás, seja com o regresso de PSD e CDS e dos seus compromissos de corte nos investimentos públicos e na Segurança Social, seja pelo reforço do PS».




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