Controlo NB
António Ramalho, presidente do Novo Banco (NB), veio à televisão pedir ao Estado mais 1149 milhões de euros emprestados, com o ar de quem estava a conceder um favor. «O que eu quero é assegurar que não se transfere para o futuro aquilo que pode ser e deve ser resolvido no presente». Ou seja, pedir impunemente ao Estado a bagatela de 1149 milhões de euros, somados aos mais de quatro mil milhões já enterrados no BES, isto por agora. E acrescentou, em advertência à pergunta se posteriormente haveria mais pedidos de empréstimo, que no futuro «seguramente que se pedirá o dinheiro necessário, porque eu não vou transferir para terceiros aquilo que deve ser realizado por mim». Como não é natural que o homem esteja preocupado que, no futuro, haja ou não descarados do seu jaez para «pedir» novos empréstimos (tirados do fundo de resolução dos bancos e, na prática, pagos pelo Estado), presume-se que esteja a vangloriar-se de ser ele o cobrador do dia.
Como vai o Executivo do PS repetir o gesto do costume – abrir os cordões à bolsa do Estado na ordem dos 1150 milhões de euros, para enfiar no buraco do BES -, enquanto insiste não haver um euro, sequer, para os enfermeiros ou os professores (para só falarmos de classes profissionais em luta aberta e continuada na Função Pública)?
Como vai o Governo de António Costa prolongar o lamaçal financeiro, para o Estado, decidido pelo Governo de Passos Coelho, com a criação do «banco bom» (o Novo Banco) e o «banco mau» (a tralha do grupo BES), insistindo, como o Governo da direita, em prosseguir este sorvedouro de recursos nacionais a favor do fundo especulativo LoneStar, que adquiriu 75% do Novo Banco ao preço da uva mijona, ficando o Estado português com 25% para continuar a pagar as contas pedidas lampeiramente pelos Antónios Ramalho e quejandos?
Usando um elementar raciocínio capitalista - «quem paga, manda» -, por que carga de água é que Portugal está todos os anos, a troco de nada, a largar milhares de milhões de euros à rapina voraz de um fundo de investimento norte-americano, que se apoderou do Novo Banco sem arriscar um cêntimo e exigindo que o Estado português vá cobrindo eternamente todas as imparidades e buracos supostamente herdados do ex-BES (o que faz do Novo Banco, afinal, um «banco mau»)?
Pormenorize-se.
A que título o Governo de António Costa vai, de novo, largar mais de mil milhões de euros para o fundo Lone Star a troco de, rigorosamente, nada?
Por que carga de água o Estado português faz papel de otário a pagar anualmente um banco onde manda coisa nenhuma?
Está longe de bastar um inquérito levantado às contas do Novo Banco.
Há que reverter a privatização e assumir o controlo estatal de um banco que o Estado continua a pagar.