Marx Uma vida ímpar ao serviço da transformação do mundo
Marx foi coerente com a opção de classe, o ideal e o projecto comunistas
No seu trabalho de fim de curso no liceu de Trier, tinha então 17 anos de idade, sob o título «Reflexões de Um Jovem perante a escolha de uma Profissão», Karl Marx escreveu: «Se escolhermos uma profissão em que possamos trabalhar ao máximo pela humanidade, não haverá dificuldades que nos possam vergar, porque são apenas sacrifícios para [o bem] de todos; não fruiremos, então, uma alegria pobre, limitada, egoísta, mas a nossa felicidade pertencerá a milhões.»
Afirmação que se viria a confirmar por inteiro na vida ímpar de Karl Marx.
Terminados os estudos académicos (estudos de Direito nas universidades de Bona primeiro e Berlim depois, e de Filosofia nesta última, vindo a doutorar-se em Filosofia na Universidade de Jena), Marx depressa descobriu que as suas ideias progressistas não tinham lugar nas universidades prussianas. Encontrou, por isso, espaço na imprensa, assumindo nos seus textos a defesa das massas trabalhadoras, mas a repressão por parte do governo prussiano reaccionário obrigou Marx a partir para Paris (na primeira de várias expulsões de que foi alvo, em consequência da sua opção de vida revolucionária apostada na transformação do mundo), depois de casar com Jenny Von Westephalen, companheira de toda uma vida.
Em Janeiro-Fevereiro de 1842 (com 24 anos de idade) faz a sua primeira intervenção na imprensa com o artigo «Observações sobre o mais recente decreto prussiano sobre a censura» em que critica o regime feudal e monárquico da Prússia. Em Maio do mesmo ano, colaborando na Gazeta Renana, defende os interesses da «massa pobre, política e socialmente sem posses».
E será esta identificação com os explorados e oprimidos, num combate sem tréguas às raízes da exploração, cujos mecanismos tão bem soube explicar na sua obra O Capital, que cada vez mais determinará a intervenção revolucionária que marcou a sua vida, lutando pela emancipação social da classe operária e de todos os trabalhadores e pela transformação do mundo.
Uma tal opção suscitou por parte dos poderes dominantes o ódio de classe contra Marx materializado no tratamento impiedoso, persecutório e repressivo que lhe dirigiram e que foi a causa das imensas privações e dificuldades que teve que enfrentar. E, de facto, enfrentou com uma coragem, dignidade e abnegação ímpares.
Apesar das privações, perseguições e expulsões, Karl Marx nunca renunciou à sua postura de revolucionário alinhado com a defesa dos interesses da classe operária e das massas populares, intervindo na sua organização e luta e criando (com a preciosa colaboração do seu grande amigo Engels) uma nova e revolucionária teoria, de que logo em 1848 encontrou expressão na célebre obra de ambos — o Manifesto do Partido Comunista — voltada para a transformação do mundo.
Marx faleceu em 1883 na cidade de Londres. Nesse ano, o mundo perdia o fundador da teoria revolucionária que, como ele próprio asseverara, quando ganha as massas se transforma ela própria numa força material no processo de transformação.
Marx foi coerente com a opção de classe, o ideal e o projecto comunistas que abraçou e, apesar das dificuldades e perseguições, não deixou de fruir uma enorme alegria pela felicidade de ter dado um contributo inestimável para que milhões de seres humanos se lançassem na construção de um mundo novo sem a exploração do homem pelo homem. Felicidade que continua a ser partilhada por todos os que, abraçando a mesma causa, continuam hoje a luta pelo socialismo e o comunismo, a que Marx entregou a vida.