Os grandes derrotados
A conclusão deste processo orçamental, com que se inicia a quarta e última etapa da Legislatura, confirma e sedimenta algumas ideias e factos que não devem ser negligenciados, o primeiro dos quais – e porventura o mais importante para o nosso povo e o País – foi a demonstração de que era possível «inverter a intensificação de exploração e liquidação de direitos que PSD e CDS tinham em curso e projectavam ampliar».
Disse-o Jerónimo de Sousa, já na ponta final dos trabalhos e após a maratona de três dias votações na especialidade, constatando todavia que não foram apenas aqueles dois partidos os derrotados.
«Com eles foi desmentida a ideia de que ao País apenas restava o caminho do empobrecimento dos trabalhadores e do povo», sublinhou o líder comunista, não duvidando que igualmente derrotados foram todos aqueles que «convocaram todos os demónios das opções únicas», «os que pressionaram, chantagearam a partir de fora mas também de dentro sobre cada medida de inversão do caminho de empobrecimento».
Como derrotados foram os que «fizeram intriga, que amalgamaram tudo, para tudo confundir e para que tudo ficasse na mesma», prosseguiu o líder do PCP, numa dura crítica a PSD e CDS, a quem acusou ainda de proporem «mundos e fundos» na discussão de alterações ao OE «na esperança vã de que os mais distraídos se esqueçam do que representam».
Exercício de demagogia das bancadas à direita do hemiciclo que Jerónimo de Sousa não deixou escapar sem reparo severo, observando, a propósito, que em momentos decisivos do debate aqueles partidos assumiram-se como a «mão protectora do Governo, da sua fixação numa trajectória do défice que voltou a não permitir os níveis de financiamento e de investimento que o País precisa».
«Quando foi preciso, lá estiveram PSD e CDS a dar o jeito ao Governo», concluiu, certeiro.