Mais unidos e confiantes com vigília na Washclean

PERSISTÊNCIA Os trabalhadores da lavandaria industrial Washclean, no Barreiro, estão na terceira semana de vigília, para salvaguardarem património que garanta o pagamento de salários e direitos.

A solidariedade reforça o ânimo para resistir

«Estamos cansados, mas estamos mais unidos, a cada dia que passa junta-se mais um colega», respondeu Patrícia Gouveia, no sábado, quando a nossa reportagem perguntou como estava a correr a luta iniciada a 6 de Novembro.

Esta dirigente do Sindicato dos Têxteis do Sul e os demais trabalhadores que com ela nos receberam na empresa, no território da antiga Quimigal, falaram-nos sobre o drama por que estão a passar, sem os salários de Outubro e vários subsídios de férias, e com a perspectiva da falência a ameaçar o futuro.

Ouvimos relatos sobre as difíceis condições de trabalho e o clima de medo imposto por Manuel Ferreira, gerente e o único dos dois sócios presente no comando da empresa criada há 16 anos.

Com meia centena de trabalhadores, a Washclean lavava, secava e passava, por dia, 25 a 30 toneladas de roupa de hotéis. A todos era exigido que ficassem para lá do horário normal, por vezes muito para lá das oito horas, houve mesmo quem chegasse a trabalhar 24 e até 36 horas consecutivas.

O trabalho em dias feriados tem sido pago como normal, desde 2012. As horas extra «até nos recibos de vencimento vinham com valores ilegais». Não era seguida a regra de entregar cópia dos recibos aos trabalhadores.

Dos casos de maus tratos, ameaças e grosserias, registámos como uma trabalhadora foi obrigada a cumprir a jornada laboral virada para a parede, junto ao secador.

As remunerações-base ficam-se pelo valor do salário mínimo nacional. Nos cinco anos que tem na empresa, Patrícia conta que sempre recebeu com atrasos. Outras camaradas confirmam que assim era para todos, até para as três ou quatro pessoas com cargos de chefia que ajudavam o patrão a dominar pelo terror. Os ordenados destas é que eram bem superiores, «com três mil euros eu também aguentava», comenta uma trabalhadora.

A Washclean deve a mais alguém? Ainda a pergunta estava no ar, já um coro reagia: «Mas a quem é que não deve?». No rol entram as rendas, a água, a luz, fornecedores, bancos, oficinas.

Em protesto contra novos atrasos nos salários, em Setembro os trabalhadores recusaram-se a fazer horas extra.

Nessa altura, já ambos os sócios tinham renunciado aos cargos de gerentes. A Armando Barreiros, que «só vinha assinar papéis» mas tem ido nestas semanas à empresa, os trabalhadores imputam responsabilidades como a Manuel Ferreira.

Resultado de penhoras, foram levadas da empresa carrinhas e algumas máquinas. No início da vigília, foi recuperado um compressor, que estava «para venda» numa oficina próxima. No dia 9, foi impedida a saída de equipamentos.

Com ligação permanente ao sindicato, os trabalhadores têm recebido diversas expressões de solidariedade.

A organização concelhia do PCP e eleitos comunistas nas autarquias do concelho têm marcado presença desde o primeiro dia. O deputado Bruno Dias esteve no local e recebeu uma delegação dos trabalhadores no Parlamento.

Esta segunda-feira, ao início da noite, o Secretário-geral da CGTP-IN e outros dirigentes levaram à Washclean a solidariedade do movimento sindical.

No sábado estava ainda muito viva a memória da manifestação de dia 15, onde um grupo de trabalhadores desfilou com uma faixa pintada nas horas de vigília. «Jerónimo de Sousa também estava a bater-nos palmas, veio juntar-se a nós, fomos o centro das atenções de toda a gente na Avenida», recordou Patrícia, com emoção.

 



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