Unilateralismo dos EUA ameaça comércio mundial
DESACORDO A cimeira do Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico, na Papua Nova Guiné, terminou sem comunicado conjunto, por desacordos motivados pela guerra comercial imposta pelos EUA à China.
O presidente da China, Xi Jinping, renovou o seu apelo contra o proteccionismo e o unilateralismo, assegurando que só a cooperação económica entre as nações conduzirá ao tão necessário progresso sustentável do planeta.
Falando na cimeira do Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), que se realizou em Port Moresby, capital da Papua Nova Guiné, Jinping afirmou que esses males prejudicam o crescimento global e é imperativo combatê-los numa perspectiva inclusiva. Augurou o fracasso de qualquer tentativa de levantar barreiras e cortar laços económicos entre os diferentes países, os quais têm o direito de traçar os seus próprios caminhos de desenvolvimento. «A História demonstrou que nas confrontações, sejam em forma de guerra fria, quente ou comercial, nunca há vencedores», acentuou o líder chinês, citado pela Prensa Latina.
Os EUA, representados pelo vice-presidente Mike Pence, mantiveram a atitude beligerante com a China e ameaçaram duplicar as taxas aduaneiras sobre a importação de produtos chineses, argumentando com a necessidade de reequilibrar a sua balança comercial.
Pela primeira vez desde 1993, a cimeira da APEC terminou sem um comunicado conjunto. Pequim acusou Washington de ter rompido a harmonia da reunião e levado a sua hostilidade a um espaço convocado para aprofundar a integração regional. Apesar disso, um porta-voz do governo chinês, Geng Shuang, manifestou esperança de que os EUA possam «trabalhar com a China e outras partes respeitando a diversidade na Ásia-Pacífico».
A reunião da APEC decorreu com a participação de dirigentes da Austrália, Brunei, Canadá, Coreia do Sul, Chile, China, Estados Unidos, Filipinas, Indonésia, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Singapura, Tailândia, Peru, Rússia e Vietname, entre outros, num total de 21 estados membros.
Fundada em 1989, a organização representa 60% do PIB mundial e mais de metade do comércio global, aglutinando um mercado de 2850 mil milhões de consumidores, ou seja, 40% da população do planeta.