Serviços públicos à míngua de trabalhadores
Problema a adquirir dimensões preocupantes e para o qual é preciso dar resposta, no entender de Jerónimo de Sousa, é também o da falta de trabalhadores nos serviços públicos.
«Anos e anos de políticas de desinvestimento de sucessivos governos e que o anterior ampliou, conduziram os serviços públicos a cada vez maiores dificuldades em dar resposta e cumprirem as suas funções», sintetizou o líder comunista, enquadrando as razões que levaram à presente situação.
À colação trouxe o exemplo concreto da Segurança Social, entre os muitos que disse poderiam ser dados, para demonstrar como os tempos de espera por resposta nesta entidade atingem hoje níveis que definiu como «inaceitáveis».
«O que nos chega através de centenas de relatos, alguns dramáticos, de trabalhadores e suas famílias, é que chegam a esperar 10, 11, 12 meses por resposta da Segurança Social a um requerimento, seja a um pedido de reforma, ao pedido de prestações por morte, ao complemento por dependência», pormenorizou.
O primeiro-ministro reconheceu a existência de serviços que «ficaram decapitados ao longo dos anos pelos processos de reforma e não substituição de pessoal», asseverando que o Governo está «determinado em avançar no preenchimento de muitas das lacunas que existem na nossa administração pública».
No caso da Segurança Social, lembrou que foram readmitidos cerca de 600 trabalhadores que o Governo anterior tinha colocado em processo de requalificação, informando, por outro lado, que está aberto concurso para a contratação de mais 200 pessoas, processo de avaliação e selecção que admitiu ser «demorado» face à existência de mais de quatro mil candidaturas.
Mas serão estas medidas suficientes? A avaliar por outros exemplos descritos por Jerónimo de Sousa a resposta só pode ser não, não são suficientes. Que o digam os desempregados de longa duração que, tendo requerido a reforma antecipada três meses antes do fim do subsidio de desemprego (tal como a lei prevê), chegam a aguardar 9, 10 meses e até um ano, pelo respectivo deferimento, período durante o qual essas famílias ficam sem qualquer tipo de rendimento, como exemplificara antes o responsável comunista.
«Imagine, senhor primeiro-ministro, imagine-se algum de nós, se estivesse nessa situação, nesse sofrimento das famílias que ficam pior do que aqueles que têm o rendimento mínimo», comentou o líder do PCP, para quem situações como esta motivadas pela falta de trabalhadores da Segurança Social são «inaceitáveis», exigindo por isso uma resposta bem diferente da actual.