Defender a Paz! Pela Paz, todos não somos demais

Ilda Figueiredo

Aprofundar e alargar caminhos de convergência na via da paz e da solidariedade

A evolução da situação internacional é de grande tensão e permanente preocupação para todos os que se empenham na defesa de uma paz justa que respeite o direito dos povos ao desenvolvimento e progresso social e a serem felizes. Desde o Médio Oriente, onde diariamente o povo da Palestina é agredido pelos ocupantes de Israel; até ao Iemén, ao Sara Ocidental e a outras regiões de África, onde o neocolonialismo oprime e mantém povos a viver a tragédia da fome e da miséria; até à América Latina, onde o imperialismo, aliado às elites locais, procura destruir avanços progressistas que retiraram da pobreza dezenas de milhões de pessoas, como no Brasil e na Venezuela, as preocupações sucedem-se.

É também neste momento que assistimos a uma preocupante corrida aos armamentos, como bem o atesta o maior orçamento militar de sempre dos EUA, alicerçado em propostas e acções de ingerência e até de invasão a estados soberanos que não se subjugaram aos seus interesses, como o presidente Trump não se cansa de proclamar, que urge congregar múltiplas vontades na defesa do desarmamento geral, simultâneo e controlado, incluindo de armas nucleares, como prevê o Tratado de Proibição das Armas Nucleares, que Portugal precisa de assinar e ratificar, da dissolução dos blocos político-militares e do estabelecimento de um sistema de segurança colectiva, com vista à criação de uma ordem internacional capaz de assegurar a paz e a justiça nas relações entre os povos.

E assim assume particular importância a iniciativa, a que já aderiram mais de 20 organizações portuguesas, de promover a realização de um Encontro pela Paz, cujo lema é «Pela Paz, todos não somos demais!» e se realiza a 20 de Outubro no Pavilhão Paz e Amizade, em Loures, e que continua aberto a todas as pessoas e organizações empenhadas na defesa da paz.

Mobilizar e participar

Por todo o País, as 12 organizações sociais que, num primeiro momento, aceitaram o desafio do Conselho Português para a Paz e Cooperação, estão a divulgar os objectivos do Encontro pela Paz e o seu programa, apelando a que outras organizações se associem e contribuam para a promoção da mobilização e intervenção em defesa da paz e pela rejeição do militarismo, da corrida aos armamentos e da guerra, tendo presente os princípios constantes na Carta das Nações Unidas e na Constituição da República Portuguesa.

Neste trabalho preparatório merecem destaque debates envolvendo diversas organizações e personalidades, como no Porto, em Lisboa e em Viana do Castelo, e o alargamento da mobilização, sendo certo que diversas outras organizações e algumas centenas de pessoas já se inscreveram para o Encontro pela Paz, que irá decorrer em plenário, e onde serão temas centrais de três mesas: «Paz e Desarmamento», «Cultura e Educação para a Paz» e «Solidariedade e Cooperação».

Aí se fará uma reflexão em torno da situação que se vive ao nível mundial, incluindo o preocupante crescimento da extrema-direita e de movimentos fascistas, que viram o seu caminho facilitado com políticas que não deram resposta a problemas sociais preocupantes, designadamente o desemprego, as desigualdades sociais, a pobreza e a tragédia dos conflitos e das guerras que causaram milhões de deslocados e refugiados.

O objectivo central do Encontro pela Paz é procurar aprofundar e alargar caminhos de convergência na via da paz, da solidariedade e da cooperação com todos os povos para a emancipação e o progresso da humanidade, tendo por base o artigo 7.º da Constituição da República Portuguesa, no respeito dos direitos dos povos e da igualdade entre os Estados, insistindo na solução pacífica dos conflitos internacionais.

Tendo em conta que, pela paz, todos não somos demais, a mobilização prossegue, apelando-se à inscrição e participação no Encontro pela Paz.




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