Greve paralisa hotéis de Chicago

António Santos

Mais de 6000 trabalhadores dos hotéis de Chicago, no Illinois, EUA, cumprem duas semanas do início da primeira greve de que há memória neste sector.

Porteiros, trabalhadores da limpeza, vigilantes, cozinheiros, recepcionistas e outros empregados de 26 hotéis da cidade picaram o ponto a meio do turno no dia 7 de Setembro e prometeram não voltar enquanto os patrões, entre os quais se destacam os gigantes Marriott, Hilton e Hyatt, não cederem às reivindicações do sindicato, o Unite Here Local 1.

Os trabalhadores, que sintonizaram a caducidade dos seus contratos colectivos de trabalho para a mesma altura, exigem que o novo contrato preveja acesso a cuidados de saúde durante todo o ano e não apenas durante a época alta, querem aumentos salariais em linha com os fabulosos lucros do sector, defendem mais segurança no trabalho, reclamam mais dias de baixa médica (nos EUA cada patrão pode impor um limite para o número de dias em que o trabalhador pode estar doente) e reivindicam a implementação de políticas contra o assédio e a violência sexual.

Os piquetes, de 12 horas por dia, não deixam ninguém indiferente: como é tradição no movimento operário dos EUA, os grevistas levam, em cartazes pendurados do pescoço, as suas reivindicações e caminham à porta dos hotéis em círculos estonteantes e impenetráveis. «Cuidados de saúde todo o ano», «Salários justos», e «Melhores condições de trabalho» eram algumas das mensagens que se podia ler. A real dimensão da greve, contudo, ficou patente na manifestação da passada quinta-feira, no Ogden Plaza Park, onde se concentraram mais de cinco mil trabalhadores com as suas famílias. Também presentes, estiveram representantes de outros sindicatos da cidade que, recentemente, conseguiram arrancar vitórias ao patronato, como o dos professores e o dos lavadores de janelas.

De costa a costa, os trabalhadores da hotelaria observam agora com atenção o desenrolar da greve de Chicago, a primeira de sempre do sector. É o caso dos hotéis de Honolulu, São José, Boston e São Francisco, cidades onde dezenas de milhares de trabalhadores também aprovaram formalmente a marcação de greves semelhantes. O desfecho, no entanto, da disputa laboral de Chicago pode condicionar a marcação das greves e as lutas dos trabalhadores da hotelaria de todo o país. Nos últimos três anos, o número de greves levadas a cabo nos EUA aumentou 25 por cento, mas a onda grevista flutua tanto ao sabor das vitórias, que rapidamente contagiam outros Estados e empresas, como das derrotas, que desmobilizam trabalhadores e sindicatos.

A recente cedência do patronato à exigência de combate ao assédio e à violência sexual é, também neste sentido, uma notícia animadora: os patrões prometeram criar um conjunto de políticas para evitar os crimes de natureza sexual, das quais se destaca um «botão de pânico» que as trabalhadoras levarão consigo. Foi um passo celebrado na manifestação de Chicago, mas a greve mantém-se, e a luta continua.



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