Carreiras, o charlatão
O Governo de Passos Coelho estava a 5 minutos de resolver o problema da Linha de Cascais quando hordas de comunistas expulsaram Ministros e Secretários de Estado dos gabinetes que ocuparam durante quase 5 anos, Pires de Lima ia exactamente carregar no botão do solucionómetro que traria, instantaneamente, 50 carruagens de Paris carregadas por cegonhas, e Sérgio Monteiro já tinha começado a esfregar a lâmpada mágica que evocaria o génio que, em segundos, modernizaria a linha ferroviária.
Pelo menos, é isto que jura Carlos Carreiras nos seus múltiplos escritos sobre o assunto. Na fábula que nos conta, a desastrosa gestão da ferrovia durante os anos do governo PSD/CDS é ignorada, como se os utentes já tivessem esquecido o corte de oferta, o aumento brutal de preços, o investimento nulo e tudo o que marcou os anos do governo PSD/CDS no que ao transporte público diz respeito.
Mas Carreiras tropeça nas suas próprias estórias. Pois assume que a sua solução para a Linha de Cascais é acabar com ela. Chama-lhe eléctrico rápido, arranja-lhe umas siglas baris, vai apresentar os «investidores» que a querem lançar. Tudo com uns pós de pirlimpimpim à mistura. Mas não há pós mágicos que alterem a realidade: o eléctrico rápido transporta menos utentes (bem menos, quase 10 vezes menos) e transporta-os mais devagar (bem mais devagar, quase o dobro do tempo de deslocação). A «vantagem», que se quer esconder por detrás da cortina de fumo, é que se libertam 23 hectares para a especulação imobiliária, e se «valorizam» muitos mais hectares que deixam de ter a Linha de Comboio a separá-los do mar.
A Linha de Cascais dispensa mais charlatães, o solucionómetro, lâmpadas mágicas ou pós de pirlimpimpim. Precisa de comboios – lancem os concursos -, precisa de ser modernizada – lancem o concurso - e precisa que as empresas públicas possam contratar os trabalhadores em falta na operação – já!