Carreiras, o charlatão

Manuel Gouveia

O Go­verno de Passos Co­elho es­tava a 5 mi­nutos de re­solver o pro­blema da Linha de Cas­cais quando hordas de co­mu­nistas ex­pul­saram Mi­nis­tros e Se­cre­tá­rios de Es­tado dos ga­bi­netes que ocu­param du­rante quase 5 anos, Pires de Lima ia exac­ta­mente car­regar no botão do so­lu­ci­o­nó­metro que traria, ins­tan­ta­ne­a­mente, 50 car­ru­a­gens de Paris car­re­gadas por ce­go­nhas, e Sérgio Mon­teiro já tinha co­me­çado a es­fregar a lâm­pada má­gica que evo­caria o génio que, em se­gundos, mo­der­ni­zaria a linha fer­ro­viária.

Pelo menos, é isto que jura Carlos Car­reiras nos seus múl­ti­plos es­critos sobre o as­sunto. Na fá­bula que nos conta, a de­sas­trosa gestão da fer­rovia du­rante os anos do go­verno PSD/​CDS é ig­no­rada, como se os utentes já ti­vessem es­que­cido o corte de oferta, o au­mento brutal de preços, o in­ves­ti­mento nulo e tudo o que marcou os anos do go­verno PSD/​CDS no que ao trans­porte pú­blico diz res­peito.

Mas Car­reiras tro­peça nas suas pró­prias es­tó­rias. Pois as­sume que a sua so­lução para a Linha de Cas­cais é acabar com ela. Chama-lhe eléc­trico rá­pido, ar­ranja-lhe umas si­glas baris, vai apre­sentar os «in­ves­ti­dores» que a querem lançar. Tudo com uns pós de pir­lim­pimpim à mis­tura. Mas não há pós má­gicos que al­terem a re­a­li­dade: o eléc­trico rá­pido trans­porta menos utentes (bem menos, quase 10 vezes menos) e trans­porta-os mais de­vagar (bem mais de­vagar, quase o dobro do tempo de des­lo­cação). A «van­tagem», que se quer es­conder por de­trás da cor­tina de fumo, é que se li­bertam 23 hec­tares para a es­pe­cu­lação imo­bi­liária, e se «va­lo­rizam» muitos mais hec­tares que deixam de ter a Linha de Com­boio a se­pará-los do mar.

A Linha de Cas­cais dis­pensa mais char­la­tães, o so­lu­ci­o­nó­metro, lâm­padas má­gicas ou pós de pir­lim­pimpim. Pre­cisa de com­boios – lancem os con­cursos -, pre­cisa de ser mo­der­ni­zada – lancem o con­curso - e pre­cisa que as em­presas pú­blicas possam con­tratar os tra­ba­lha­dores em falta na ope­ração – já!




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